Ó deuses! Não vos peço a imortalidade, peço permissão para explorar o campo do possível _ Píndaro

Num passeio descontraído através dos mundos possíveis, vamos ativar nossa imaginação política e descrever que rumos poderá tomar o governo Dilma. Advertindo desde já os espíritos simplórios que não estaremos nos movendo no mundo dos fatos, porém explorando regiões do vasto campo do possível.

Começaremos pela menos ruim das alternativas. Nesta, Dilma não representará grande ameaça para a democracia, não dará continuidade ao PNDH3 – que passará a ser mero projeto eleitoreiro – não escolherá Mercadante nem nenhum economista heterodoxo para ministro da Fazenda e tocará a passo de cágado as obras do PAC (Plano que Alavancou a Companheira).

Nisto, ela seguirá à risca seu grande mestre político, pois, como dizia o maquiavélico Maquiavel: “O mal tem que ser feito de uma só vez, mas o bem tem que ser feito aos poucos, porque o povo tem memória curta”. Se bem que o povo brasileiro não tem memória curta, conserva apenas uma vaga lembrança do passado recente.

Dilma fará um governo mais medíocre do que o de seu antecessor, se é que isto é realmente possível. No entanto, ela será mais discreta e precavida quanto à aproximação das coisas ruins internacionais. Ao contrário de seu antecessor, ela não demonstrará grande paixão por Ahmadinejad, Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales et caterva.

Ela não enfrentará nenhuma crise econômica devastadora e o país crescerá a uma média medíocre de uns 3 % ao ano. Concluirá seu governo deixando a maior parte da população insatisfeita, nem tanto pelo governo que fez, mas pelas grandes expectativas suscitadas na campanha, e pela comparação de seu carisma zero com o forte carisma de Lulinha-Paz-e-Amor que, aliás, conseguiu até mesmo eleger uma múmia.

Como conseqüência, a oposição crescerá e Aécio Neves será fortíssimo candidato a Presidente, tendo chance de derrotar até mesmo Lulla, inevitável e imbatível candidato do PT em 2014: ano das Olim-Piadas no Rio [Já estamos rindo por conta].

Passemos agora a descrever o pior dos mundos possíveis. Possuidora de um temperamento irrascível, intratável e autoritário, aliado a uma notável incompetência administrativa – já demonstrada nas falências da prefeitura de Porto Alegre e da sua atividade como pequena empresária – Dilma fará um governo de constante atrito com seus comandados, trocando de ministros como uma mulher troca de bolsas e sapatos.

Como nada irá adiante no seu governo, em virtude de um grande caos administrativo e da refrega do PMDB com o PT por cargos e boquinhas, ela tentará se servir de avassaladora propaganda. Mas graças à sua figura fria e inexpressiva, não conseguirá persuadir o povo que seu governo é beleza pura, como fez matreiramente Lulla – com dois éles de Collor – nos seus dois (des)governos.

Seguindo os passos de Cristina Kirchner – a indomável megera argentina – tomará medidas radicais para amordaçar a mídia. Após uma inútil resistência da opinião pública esclarecida, ela acabará conseguindo. Tendo um Congresso subserviente e a mídia manietada, ela governará com mão de ferro o País. Crescerá a corrupção. Crescerá o autoritarismo. Crescerá o caos. Crescerá a oposição.

A bomba-relógio armada por Lulla explodirá com um aumento colossal da dívida interna e das despesas estatais. Dilma aumentará impostos, mas se recusará a cortar despesas do Estado e isto gerará inevitavelmente o retorno de uma escalada inflacionária vertiginosa.

Abrem-se três alternativas: na melhor das hipóteses, ao final do governo Dilma, a oposição crescerá exuberantemente e Aécio Neves será fortíssimo candidato a Presidente, tendo chance de derrotar até mesmo Lulla, inevitável e imbatível candidato do PT em 2014.

Na menos ruim das hipóteses, os governos de São Paulo e de Minas Gerais promoverão o impeachment de Dilma, ela será deposta e assumirá o mefistofélico Michel Temer disposto a fazer todo e  qualquer negócio, contanto que o PMD permaneça no poder fazendo bons negócios.. E voltaremos à velha política do antifranciscano Robertão: a do dá cá, toma lá, pois “é recebendo que se dá!”. Por pior que pareça, essa é mesmo a menos ruim das alternativas…

Mas há ainda uma hipótese pior, uma verdadeira tragédia grega, que eu preferiria que jamais passasse do domínio do possível ao do real:

Minas e São Paulo se sublevarão contra Dilma, ao passo que Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – dos fiéis aliados Sérgio Cabral e Tarso Genro – tomarão sua defesa. Os demais Estados da Federação se alinharão de um lado ou de outro. A tensão política tornar-se-á incontrolável. É a guerra civil! O Brasil democrático de Aécio e Alckmin contra o Brasil dilmesco e seus acólitos.

Supondo que isto venha a ocorrer, certamente as FARC e Hugorila Chávez fornecerão armas e guerrilheiros cubanos há muito de prontidão na Venezarzuela, e estes se juntarão aos sem terra e aos sem-vergonha. Por sua vez, os Estados Unidos do pós-guerra fria – pouco se lixando para o alastramento do comunismo na América do Sul –  se fingirá de morto.

Mas importa saber apenas uma coisa: De que lado se colocarão nossas Forças Armadas ou ao menos a maior parte de seu contingente.

Advirto que qualquer semelhança que um desses mundos possíveis possa vir a ter com o futuro mundo real não terá passado de mera coincidência…

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1 comment

  1. O senhor Mario Guerreiro confia em possibilidades não-probabilísticas e narra em tom jocoso o que poderia ser tratado como sério. Grande perda de espaço do Instituto Millenium, que leio pelo site e replico em meu blog sempre que traz discussões inteligentes.