Os shopping centers e os “rolês”

Não é de hoje que acusam os shopping centers de promover apartheid social, quando, na realidade, ocorre exatamente o contrário. Lembro de quando eu era membro da Comissão Normativa de Legislação Urbanística (CNLU), órgão que então autorizava a ampliação do “solo criado” em São Paulo, e ali ocorriam debates acalorados entre os arquitetos e urbanistas “progressistas”, que odeiam esse tipo de empreendimento, contra os arquitetos empreendedores. Os primeiros foram derrotados pelo irresistível benefício trazido pelos centros de consumo.

A tese de que shopping center restringe o acesso aos pobres não resiste à mínima observação direta. Todos, ordeiramente, têm a ele acesso. A proliferação dos últimos anos levou os shopping centers para a periferia das grandes cidades e para as cidades do interior, com o mesmo mix de lojas e o mesmo padrão de serviços. Não há discriminação alguma, o que vale são as leis de mercado. É a democracia do livre mercado.

Os shopping centers democratizaram o acesso a bens e serviços que outrora eram privilégio da elite. Cada empreendimento carrega uma livraria e uma praça de alimentação e cria inúmeras oportunidades para pequenos empreendedores. E um teatro. Nunca o equipamento público foi tão bem ofertado, de forma privada, pelos shopping centers.

A tese de que shopping center restringe o acesso aos pobres não resiste à mínima observação direta

Alguns empreendimentos estão identificados com a sua freguesia de vizinhança, como é o caso do Shopping Center Campo Limpo. Andar por seus corredores é ver que a população mais pobre é que compõe a sua clientela. Por isso, me espantou o “rolê” dos Sem-teto sobre ele. Aqui é evidente que o prejudicado principal foi o próprio povo que reside naquela periferia de São Paulo.

Quando políticos como Dilma Rousseff insinuam que há discriminação de classe e até racial pelos que se opuseram aos “rolês” estão mentindo. É de se perguntar quem arregimenta esse magote de desocupados para realizar o seu tropel destruidor. E quem ganha com isso. A resposta é: o PT, que tem interesse em desestabilizar a Segurança Pública e por isso faz guerra psicológica, com o fito único de desestabilizar o governador paulista, do PSDB, candidato favorito à reeleição.

É claro que, ao estimular os “rolês”, o PT deu mais uma volta na porca do parafuso, no rumo da revolução. É tática de ação direta esse tropel urbano ameaçador. O problema é que o caos permanente não pode ser tolerado, sob pena de a vida prática ficar inviável. A decisão de patrocinar e apoiar os “rolês” mostra que o PT partiu para a guerra total contra o PSDB e que a situação só irá se agravar até a data das eleições.

Se a elite econômica até agora tem apoiado o projeto populista/progressista do PT, com essa ação direta irá se assustar e rever o seu apoio. A questão crucial para a burguesia é menos ganhar dinheiro e mais ter uma ordem estável. A ordem deixou de existir.

Podemos dizer que assistimos à invasão vertical dos bárbaros, para usar a deliciosa expressão que é título de um dos livros de Mário Ferreira dos Santos. Do lado oposto, temos os shopping centers, verdadeiros enclaves civilizados, que se aproximaram do povo mais pobre, oferecendo-lhe bens e serviços antes inacessíveis.

O ponto é que o PT não está tão forte assim, a ponto de perder credibilidade junto à burguesia. Lula cultivou a burguesia até onde pode. Os ricos nunca ganharam tanto como ganharam sob Lula, mas a burguesia se esqueceu de que o projeto do PT sempre foi, e é, revolucionário. Os “rolês”, com apoio oficial, são apenas a última ferramenta utilizada para afrontar a ordem. Eles são uma variação urbana do que o MST tem feito no meio rural. O governo de Dilma Rousseff tem sido a corte dos aloprados.
Resta saber como vai se comportar a população. Entendo que ela não tolera a desordem e o caos. Tem ânsia de ordem, requisito para a vida normal e a normalidade da produção. Vamos aguardar os impactos eleitorais dessa alucinação toda.

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