Sábado, 10 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Os sobreviventes

A minha história é parecida com a de muitos brasileiros.

Eu venho de uma família de classe média, avós com ensino médio completo e pais formados por universidades públicas. A valorização do estudo e a ambição de morar com conforto, ter segurança e poder aproveitar momentos de descanso em família sempre foram importantes.

Os integrantes da minha família fazem escolhas. Optam por ter muitos ou poucos filhos, uma opção que deve ser feita pelo bem-estar das crianças. Em 2009, os grupos familiares tinham em média 3,1 integrantes, contra 3,4 em 1999, segundo dados da Síntese dos Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística**.

Famílias com um número reduzido de pessoas conseguem prover alimentação, saúde e educação sem depender de impostos repassados de outras famílias, sem ter que seguir regras determinadas por governos para a doação de alimentação, acesso à saúde e educação. Minha família nunca gostou de ser vista como vítima, incapaz de conduzir seu próprio caminho.

Os integrantes da família optam por ter um emprego com carteira assinada ou inovam e abrem uma pequena loja, um escritório. Abrir um negócio sempre foi um desafio no Brasil, mas a prática de venda e compra no mercado livre permite que as pessoas recebam uma renda compatível com as suas necessidades, ao invés de serem exploradas por regras que não dão flexibilidade de negociação para o trabalhador e engessam o empregador. Vivemos este momento na economia brasileira.

Minha família escolheu trabalhar em atividades que remuneram bem, dão visibilidade e sucesso. A autoestima profissional, a sensação de ser importante na cadeia de produção, sempre foi fundamental para o orgulho da família.

O governo, infelizmente, dita todas as regras, reduzindo drasticamente a independência e a liberdade das famílias

Vivi no exterior e pude escolher uma universidade particular que me ofereceu um currículo sem ideologia política. Lá, aprendi a ser analítica e pragmática. Após ser selecionada pelo setor privado para atuar na minha área de especialização, conquistei a autoestima profissional.

A minha contribuição para o setor privado é remunerada com promoções e desafios novos. Tenho o respeito de colegas de trabalho e não preciso de favores, nem devo nada a ninguém. O meu currículo é diversificado porque amadurecer profissionalmente e emocionalmente exige riscos, perseverança e proatividade.

Poucas metáforas refletem tão bem a autoestima como a das carpas japonesas. Em um tanque de pequenas dimensões, a carpa japonesa (Koi) cresce no máximo de 5 a 7 centímetros. Em um lago, seu tamanho pode ser três vezes maior. É a mesma carpa, apenas em ambientes diferentes.

Minha opção de casar e continuar trabalhando é importante para minha família. Eu posso oferecer viagens e encontros maravilhosos para todos. A minha independência financeira e minha escolha de ser mãe me trouxeram de volta ao Brasil.

Em um país, onde milhões de pessoas optam por uma vida simples. Uma vida com opções. O governo, infelizmente, dita todas as regras, reduzindo drasticamente a independência e a liberdade das famílias. As classes sociais no Brasil estão sendo discriminadas. Os mais pobres precisam da assistência de impostos, mas com regras rígidas. A classe média precisa pagar cada vez mais impostos e as regras contratuais (financeiras, de emprego ou de negociações) mudam mensalmente. Os mais ricos estão engessados com impostos altos e falta espaço para investir em projetos sociais, educação e saúde.

O Brasil vive um momento desafiador. Com uma crise política e institucional, que agrava a crise econômica. A sociedade civil e a iniciativa privada precisam se mobilizar para apresentar propostas. Se você, assim como eu, acredita que é possível mudar a realidade com vontade, união de forças e criatividade junte-se ao Instituto Millenium.

** A informação está disponível no site do Diário Catarinense. Clique aqui e confira.

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