Toda pesquisa, qualquer pesquisa, bem como a mais chumbrega das enquetes mostram a indignação do brasileiro com os padrões éticos dos detentores do poder. Este santuário chamado Brasil, este mosteiro chamado Brasil, habitado por 180 milhões de almas sem jaça, enfrenta a triste sina de ser conduzido por patifes. Pobres ovelhas pastoreadas por lobos…

Não, meu caro leitor, não baterei novamente na tecla das instituições. As letras do teclado do meu micro com as quais se escreve essa palavra já foram gastas pelo uso. Ninguém aqui leva a sério o efeito dos modelos institucionais sobre a conduta daqueles que as integram. Vou ficar no lugar comum e falar sobre ética, neste relicário de virtudes e neste refúgio de beatos chamado Brasil.

Pois bem, eu vinha acompanhando o surgimento de parentes de Sarney na folha de pagamento do Senado Federal, mais ou menos como se acompanhava, no começo, as ocorrências da Influenza A H1N1 (um dia alguém ainda me explica o que essas letras e números querem dizer). Ou seja, um caso aqui, outro ali, até virar pandemia. Era parente de Sarney para todos os lados. Havia, inclusive, parentes nomeados por atos secretos, sigilosos, concebido nas madrugadas e redigidos à sombra das moitas.

Quando eu estava, como todo brasileiro ouvido nas pesquisas e na mais chumbrega das enquetes, ficando indignado, leio que o presidente da República, aquela unanimidade nacional, do alto de seus oitenta e tantos por cento de aprovação, saiu em defesa do senador, elogiando suas excelsas virtudes e afirmando que o companheiro Sarney, pelos elevados serviços prestados à pátria, não merecia o tratamento de um cidadão comum. Eu sei que ele, quando falava em cidadão comum, não estava pensando em mim. Mas quando o ouvi falar em cidadão comum, vesti, digamos assim, a carapuça. Sarney é um homem a quem o país muito deve (e ele trata de cobrar todos os dias) e eu sou um homem comum, que deve muito ao país, como bem evidenciam os impostos que todos os dias me cobram.

Ora, leitor, se Sarney é um homem bão como carne de sol e se Lula, que o defende, tem oitenta e tantos por cento de unanimidade nacional, quem sou eu, cidadão comum, para falar sobre ética? Meu próximo artigo tratará de… instituições. E vocês, oitenta e tantos por cento, que acham Lula ótimo, fiquem por aí com suas seletivas angústias éticas. A mim preocupam-me as instituições que permitem a uma pessoa como Lula chegar ao poder e manter oitenta e tantos por cento de aprovação alinhado com e passando a mão por cima de todos os grandes picaretas “desse país”.

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