O certo é que, coincidente com o resultado das urnas ou não, houve uma série de fatos que mudaram o quadro, de modo que subitamente tudo parecia alterado. A pretendida reeleição da presidente Dilma ficou pela metade a despeito da milionária campanha celebrada, uma força nova entrou em cena com vigor, a ponto de ocupar posição no procênio quando era quase obscura. Isto me parece relevante.

É de espantar que as pesquisas cheguem ao requinte de especular a hipótese da hipótese

Enquanto isso, antes da eleição, entidades de pesquisa divulgavam prognósticos como se possuíssem certeza científica, quando essas especulações eram predominantemente meras especulações.

A única pesquisa passível de ser aferida é a que se denomina “boca de urna” no dia da eleição e mesmo assim neste pleito ensejou erros constrangedores.

Não obstante, é impressionante a onipotência dos órgãos de pesquisa, que chegam mesmo a se atribuir a “margem de erro”, ao estabelecer o limite percentual de sua infalibilidade, quando a moderação nunca é demasiada, especialmente em afirmações que não se podem provar.

É de espantar que as pesquisas cheguem ao requinte de especular a hipótese da hipótese, ou seja, se tal ou qual candidato for eleito no primeiro turno, adiantam qual seria o resultado no segundo turno. Infelizmente esse conjunto de palpites pode influenciar o resultado de uma eleição, sem qualquer responsabilidade a quem os emitiu.

Nem de longe se está a questionar a utilidade das empresas que fazem pesquisas, mas é conveniente relativizar suas conclusões. A nossa presidente parece que não considerou a margem de erro no tocante à honestidade de dirigentes da Petrobrás e de alguns ministros e o triste resultado não lhe foi lisonjeiro.

Mais poderia ser dito sobre a eleição do dia e 5 e o segundo turno, mas limitado no espaço fico nesta reflexão. Se os promotores de pesquisas não apresentassem seus prognósticos como próximos da infalibilidade, poderiam ter evitado o vexame a que foram submetidos. Bastaria dizer que erraram e, assim como o samba de Noel Rosa, tudo não teria passado de um “Palpite infeliz”.

Fonte: Zero Hora, 13/10/2014.

RELACIONADOS

Deixe um comentário