Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

É preciso selecionar os melhores para o magistério

Gostaria de compartilhar três reflexões sobre o tema da educação: o recrutamento do aluno para o magistério, sua formação e profissionalizacão. Valho-me do manancial de informações e ideias que debatemos no VIII Seminário Internacional do Instituto Alfa e Beto, realizado em agosto deste ano no Rio de Janeiro.

Atrair bons alunos para o magistério. Nos países da OCDE, em termos de desempenho escolar, os futuros professores situam-se na média dos candidatos a cursos superiores. Ou seja: são tão bons quanto a média, certamente não estão entre o piores. Mas nos países de melhor desempenho educacional os professores são recrutados entre os 30% melhores, como o Japão, Coreia ou Finlândia, e entre os 5% melhores, como em Cingapura. Nos Estados Unidos, instituições como o Peabody College atraem o topo da elite. Assim também faz o programa Teach for America. O que nos impede de fazer isso?

Como formar professores. Com base na análise dos sistemas de formação de professores em mais de 25 países da OCDE , o professor Roger Beard, da Universidade de Londres, tirou duas conclusões importantes. Primeiro, os sistemas de formação de professores são muito diferentes. Segundo, os sistemas guardam algumas características em comum: os alunos dominam os conteúdos do que vão ensinar, recebem treinamento e orientação prática sobre como ensinar ANTES de entrar na sala de aula e, apesar disso, precisam de apoio (e na maioria dos países contam com isso) nos primeiros anos de atividade. Os professores aprendem melhor a ensinar quando fazem estágios em escolas bem organizadas e de bom desempenho e quando são supervisionados por professores experientes e comprovadamente eficazes.

Profissionalização do ensino. Amitai Etzioni cunhou o termo semi-profissões, na década de 1970, para descrever atividades que seriam uma mescla de intuição e devotamento com algum conhecimento profissional. Mesmo nas ocupações reconhecidas como profissionais, o conhecimento tácito – isto é, aquele transmitido no boca a boca – tem papel preponderante. Afirmações como “eu sei fazer mas não sei explicar” ou “eu sei identificar um bom professor ou um bom diretor mas não sei descrever”, etc., são exemplos típicos. O problema com o magistério é que o conhecimento tácito e a credibilidade dos colegas tende a assumir um papel desproporcional – e isso tem contribuído para dificultar a adoção de práticas baseadas em evidências. Troca de experiências pode ser não apenas limitante, mas também perverso, quando as experiências não têm referentes concretos associados ao sucesso do aluno. Se fosse mais profissional e preponderantemente baseado em evidencias, e não no boca-a-boca, o ensino poderia dar resultados muito melhores. Afinal só há um critério para saber se alguém é bom professor: o sucesso do aluno.

Como superar esses desafios? Esta é a reflexão que proponho aos leitores.

Quem quiser contribuir para o debate pode escrever diretamente para o Instituto Singularidades ou para o autor (joao@alfaebeto.org.br).

Escreva um comentário

Seu e-mail não será publicado.