Para não dizer que não se falou em crise

Tão interessante quanto os temas apresentados e discutidos no último final de semana durante o 3° Fórum de Empreendedores, realizado pelo Lide em Águas de São Pedro, foi o assunto que não fez parte da pauta.

Durante as discussões, que reuniram alguns dos principais empresários do país, não se mencionou uma única vez a palavra crise. Ou melhor: sempre que a crise apareceu foi como o cenário que determinou a criação de algumas das empresas.

Isso não significa, naturalmente, que pessoas como Artur Grymbaum, do Boticário, Laércio Cosentino, da Totvs, Salim Mattar, da Localiza, José Batista Júnior, da JBS, e Edson de Godoy Bueno, da Amil, vivam numa espécie de ilha da fantasia e desconheçam os problemas que o país precisa resolver caso queira mesmo dar o salto de qualidade que o transformará em país desenvolvido.

A questão é que o foco dos debates (que também contaram com apresentações de Marco Stefanini, da Stefanini, Wagner Pinheiro, dos Correios, e do artista plástico Romero Britto) estava mais voltado para as soluções do que para os problemas.

Mais precisamente para as soluções que fizeram com que cada uma dessas empresas se transformasse em casos de sucesso empresarial com faturamentos bilionários e incrível capacidade de geração de empregos.

No debate, sempre que a crise apareceu foi como o cenário que determinou a criação de algumas das empresas

E isso, num momento como o atual, em que as previsões quanto ao futuro do Brasil já não revelam o mesmo tom entusiasmado de dois anos atrás, é extremamente alentador. Em outras palavras, o estímulo ao empreendedorismo é a receita que 100% dos empreendedores consideram mais eficaz contra a crise. Qualquer crise.

A propósito, o que não faltava aos expositores, era experiência em crises. Em uma de suas intervenções, Edson de Godoy Bueno, que acaba de receber um cheque de US $ 6,5 bilhões pela venda do controle da Amil (num negócio que, na totalidade, superou os US$ 10 bilhões) disse que essa mania que os empresários têm de não falar em crise se explica pela ausência, ou pelo excesso, de parafusos na cabeça.

Brincadeiras à parte, o certo é que os debates ajudaram a traçar um perfil do empreendedor brasileiro a partir das histórias pessoais relatadas durante o evento. Valdemar Verdi, do grupo Rodobens (homenageado na noite de sexta-feira), que começou a vida como fabricante e vendedor de vassouras de piaçava, conheceu todas as crises que o país enfrentou nos últimos anos.

E superou todas elas. Com 95 anos de idade, tem experiência e autoridade suficientes para dar receitas de sucesso para qualquer pessoa. Prefere, no entanto, falar da própria experiência e, mais do que isso, fazer projeções de crescimento para seus negócios.

A Rodobens reúne concessionárias de automóveis, caminhões e máquinas agrícolas e de diversas marcas. É o tipo do exemplo que torna a crença na superação das dificuldades não uma contingência. Mas uma obrigação.

Fonte: Brasil Econômico, 12/11/2012

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