Perdemos feio para a Coreia

Arnaldo Niskier

Como exemplo de que estamos indo mal na competição por uma boa educação, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), na Associação Comercial do Rio de Janeiro, lembrou que, 40 anos atrás, tínhamos o mesmo número de patentes da Coreia do Sul. Hoje, a nação asiática produz 12 vezes mais patentes do que o Brasil –sinal de que o seu modelo de desenvolvimento, lastreado numa educação de qualidade, segue uma trajetória correta.

Em nosso caso, há uma preocupação dominante com o ensino superior, ao qual chegam cerca de dez de cada cem alunos que entram a cada ano no fundamental (de acordo com o IBGE). É muito pouco e com um nível altamente discutível.

As perdas ocorrem pelo caminho, com coisas incríveis como os percalços do nosso tumultuado ensino médio, concluído por 40% dos que nele ingressam. Trata-se de uma vergonhosa evasão.

Aliás, fatos estranhos acontecem nessa faixa etária, que é estrategicamente de fundamental importância. Veja-se o último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio): uma ausência de mais de 2 milhões de inscritos nas provas realizadas, causando um prejuízo de R$ 60 milhões aos cofres do Ministério da Educação.

Até agora, ninguém deu uma explicação plausível para esse fenômeno. Terão os jovens perdido a esperança em nosso modelo educacional? Ou a antevisão de uma prometida prova mais difícil fez os alunos desistirem?

Se somos a sexta economia do mundo, já não seria hora de melhorar de posição em relação aos exames internacionais, como o Pisa?

Tudo hoje se baseia no conhecimento. Temos, no país, mais de 260 milhões de telefones celulares, alguns deles criados lá fora, mas montados aqui. Se somos a sexta economia do mundo, já não seria hora de melhorar de posição em relação aos exames internacionais, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)? A prova de que as coisas não andam bem é o fato de ocuparmos a 53ª posição, perdendo para países de menor tradição cultural. A matemática é um bom exemplo dessa fraqueza.

A secretária de Educação do município do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, no seminário da Associação Comercial, disse uma frase terrível: “O desastre do ensino médio começa no segundo segmento do ensino fundamental. Isso pode ser comprovado pelo fato de 65% dos formandos do nono ano não terem a menor noção do que se entende por porcentagem”. Como essa gente vai se preparar para questões mais complexas, exigidas pela sociedade do conhecimento?

Chega-se sempre ao mesmo lugar-comum: se precisamos aperfeiçoar os mecanismos que nos levariam a melhorar a condição da educação no Brasil, o atual sistema, como disse o senador Cristovam Buarque, parece ultrapassado.

A formação dos professores, por exemplo, está totalmente invertida, pois os recursos humanos são colhidos nos estamentos mais baixos da sociedade.

Na Escandinávia, é o contrário. Os professores são escolhidos entre os melhores quadros, sendo a profissão altamente valorizada, inclusive financeiramente. Devemos atentar para isso.

Fonte: Folha de S. Paulo, 26/11/2013

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