O que é um preço? Trata-se do melhor mecanismo de informação para os agentes do mercado, tanto compradores como vendedores. Como as informações valiosas estão totalmente pulverizadas entre milhões de indivíduos interagindo por meio de trocas voluntárias, o preço de um produto será o indicador mais confiável para refletir as preferências subjetivas dos consumidores e produtores, funcionando como um eficiente incentivo para levar a economia onde estes demandam. O livre mercado é, portanto, um sofisticado mecanismo que resolve um problema de coordenação, alocando os recursos nos lugares corretos aos custos adequados. Os produtos e serviços acabam sendo oferecidos pelos mais eficientes. Feita essa breve explanação, fica claro que alterar artificialmente os preços de mercado causa uma perda de eficiência em seu funcionamento, pelo elevado ruído nas informações transmitidas. É justamente o que o excesso de intervenção estatal faz quando tenta controlar preços na marra. Subsídios, câmbio fixo, tabelas e congelamento são todos meios de poluição na formação de preços, prejudicando a eficiência da alocação de recursos. Na maioria das vezes, a intervenção estatal objetivará segurar os preços artificialmente, gerando escassez e prateleiras vazias, pois a demanda será maior que a oferta. Temos infinitos exemplos disso, tanto no Brasil como em outros países com forte intervencionismo estatal. Mas nos últimos anos notamos o oposto no caso brasileiro. Os preços administrados pelo governo tiveram um peso muito maior na inflação geral. Nos últimos 10 anos, esses preços, que incluem tarifas de energia, telefone, ônibus, gasolina e plano de saúde, tiveram um aumento 3,5 vezes maior que a média dos preços livres. Enquanto os preços livres de regulações eram pressionados para baixo por conta da competição de mercado, globalização, inovações tecnológicas e ganhos de produtividade, os preços controlados pela caneta estatal não paravam de subir. São diversas possíveis explicações, que passam por monopólios “naturais” até alta internacional do petróleo, que o governo não controla. Mas as conseqüências são nefastas do mesmo jeito, com distorções graves nas alocações de recursos. A explosão de vans nas ruas, para dar um exemplo, é um caso claro de reação do mercado, mesmo que nas sombras da informalidade. Os elevados preços dos ônibus, garantidos artificialmente pelo governo e isentos da livre competição, possibilitaram a proliferação dessa alternativa de transporte, mesmo que no mercado paralelo e criminoso. Certas leis inexoráveis da economia, como a oferta e procura, não podem ser alteradas por papel e caneta do Estado. A conclusão, mesmo levando-se em conta os fatores exógenos, é sempre a mesma: o melhor mecanismo de informação para os agentes de mercado são os preços, que devem ser mantidos livres da interferência estatal.

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