Os primeiros dias de campanha para a eleição presidencial deram uma pequena demonstração do que teremos pela frente nas próximas semanas. José Serra não perdeu tempo e, nos primeiros deslizes de Dilma, partiu para o ataque.

No fim de semana passado, Dilma deixou de responder a uma pergunta do jornal O Globo sobre por que gostaria de ser presidente da República.

Sem resposta, O Globo colocou um imenso ponto de interrogação no espaço vazio. Serra não perdoou: disse que Dilma não sabe por que quer ser presidente.

O segundo deslize de Dilma também foi alvo de ataques de Serra. O programa de governo da candidata entregue ao TSE revelava apoio ao controle da mídia, ao aborto e à invasão de terras.

O PT se defendeu dizendo que ela assinou o documento sem ler, e Serra aumentou ainda mais o tom das críticas.

Sabendo que depende mais dos erros de Dilma do que de seus acertos para ganhar as eleições, Serra irá monitorar com lupa todas as atitudes de sua principal adversária. Será sempre contundente nas críticas.

Por outro lado, para não parecer negativo demais, pretende mostrar compromisso com os atuais programas sociais, em especial o Bolsa Família.

Não à toa, prometeu dobrar os atendidos pelo programa. Em Curitiba, uma das primeiras promessas de Serra foi o projeto “Mãe Brasileira”.

Por ele, todas as mulheres grávidas serão acompanhadas desde o pré-natal, com seis exames pelo menos.

Dilma, por seu lado, foi cautelosa, mas não deixou de atacar. Com Lula viajando, não entrou em bola dividida.

Admitiu o erro na questão do programa de governo e disse não ser favorável ao controle da mídia. Dilma buscou reforçar a dúvida do eleitor sobre o compromisso de Serra com programas sociais.

Em São José do Rio Preto (SP), disse que os governos do PSDB não têm credibilidade para propor projetos sociais e que há uma desconfiança a respeito de seus adversários em cumprir metas nessa área.

Marina Silva sabe que um de seus principais problemas nessa eleição é a falta de estrutura partidária. Em seu primeiro dia de campanha eleitoral, a candidata do PV à Presidência deixou de lado caminhadas e comícios e optou por inaugurar uma “Casa de Marina”, iniciativa do “Movimento Marina Silva”, com o objetivo de transformar casas de eleitores em comitês mobilizadores nos bairros.

Também elegeu, na primeira semana de campanha, Dilma como alvo. Criticou a aliança do PT com o PMDB e chamou de vexatória a questão sobre o programa de governo entregue ao TSE. Sua estratégia faz sentido: Marina sonha tomar de Serra o posto de adversária de Dilma no segundo turno.

Lula enviou uma mensagem importante. Disse que estará nos programas de rádio e TV pedindo votos para Dilma. Outra mensagem foi dada pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), amigo do presidente, que admitiu, sendo necessário, que Lula pode se licenciar para ajudar Dilma.

Com as pesquisas dando empate, tanto o PT quanto o PSDB ficam aguardando o resultado da primeira pesquisa do período oficial da campanha. A expectativa é a de que não ocorra nenhuma grande variação em relação à anterior.

Fonte: Jornal “Brasil econômico” – 13/07/10

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