Faltou realismo no discurso sobre espionagem

O discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, realizado pela nossa presidente Dilma Rousseff, além do tom pesado (tipo cachorro que late não morde), foi pouco realista, pois seus argumentos referente à espionagem americana no mundo estava mais para um debate eleitoreiro, que aproveita o modismo utópico latino-americano de antiamericanismo.

O discurso esconde realidades do Brasil. A presidente afirmou que o país combate o terrorismo, mas, na verdade, se nossos serviços de inteligência estão aquém do que realmente o Brasil necessita, como podemos efetivamente combater algo? Veja o exemplo e os indicadores de criminalidade, de narcotráfico, de contrabando de armas, de bioespionagem na Amazônia, da atuação do próprio serviço secreto americano em território brasileiro. Assim como podemos afirmar que temos uma estrutura segurança e defesa para atender às reais necessidades e demandas de ameaças internacionais?

Abrir a grande cúpula internacional logo batendo no presidente dos Estados Unidos foi uma grande jogada de marketing, porém pouco prática efetivamente para um atributo de “estadista”, ou até mesmo para atender seus anseios de governança global. No ano que vem, seu marqueteiro, com certeza, utilizará o mote: Vote Dilma para presidente! A mulher que cobrou Barack Obama!

A questão é ainda mais piegas, uma vez que a própria assessoria da presidência desconhece a prática de espionagem, ou se faz de desentendida. A prática de espionagem é uma realidade histórica de todas as potências, e até mesmo de países periféricos. Por que Alemanha, França, China, Inglaterra e até mesmo a Rússia não cobraram explicações com a mesma intensidade? A resposta é muito simples e bem realista: as mesmas potências utilizam das mesmas práticas e, se considerarmos os chineses, até com mais intensidade do que os americanos.

De alguma forma, a proposta do Brasil, ou melhor da Dilma Rousseff, irá para um fórum específico da ONU. Espero que o Brasil trate isso com peso. Na última reunião, em Genebra, na semana passada, o Brasil foi um mero espectador, pois enviou uma estagiária para a reunião. Nada contra a estagiária do Itamaraty, pelo menos deram uma chance a ela.

Mas vamos analisar os resultados efetivos e práticos, e até mesmo realistas. Barack Obama tratou o tema de forma singela. Dilma ganhou a imagem forte de que “pegou firme com Obama”, e, no Brasil, o questionamento da falta de um serviço de inteligência e de uma contraespionagem forte será contínuo nos próximos meses. Será que, com tudo isso, a presidente Dilma Rousseff lança, de uma vez por todas, o Plano Nacional de Inteligência?

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