Sebastiao Ventura

As Nações Unidas, em resolução da Assembleia Geral de dezembro de 1999, aprovou a data de 12 de agosto como o “Dia Internacional da Juventude”. É cogente e necessário um momento de reflexão sobre os desafios que recaem sobre a humanidade e, em especial, sobre os jovens do mundo e do Brasil. Todavia, para bem refletir, é preciso buscar entender. Nesse contexto, não há dúvida de que estamos a viver tempos interessantes. Aliás, o tempo parece correr em velocidade frenética em uma sociedade que tem cada vez mais pressa de viver.

Como num piscar de olhos, a manhã se vai, a tarde cai, a noite chega e a madrugada adormece. Os dias correm, as semanas voam, os meses vão e os anos passam. Tudo – dos amores aos negócios – parece ser relativo e passageiro. Nesse turbilhão momentâneo, a capacidade de refletir sobre os grandes temas da vida é reduzida a pó e nossa liberdade de pensar – e, com isso, nos transformarmos no que somos – é cooptada por um movimento de manada que quer fazer do ser humano um simples produto manobrável. Portanto, é hora de parar, de sair da redoma da hipocrisia, de retomarmos nossa autodeterminação crítica e voltarmos a fazer do debate público uma verdadeira arena de dialética democrática, voltada ao desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.

O Brasil precisa de uma nova mentalidade institucional

Lanço, então, uma indagação que interessa a todos: o que temos feito para mudar o mundo? Sim, disse mudar o mundo!

E, assim o disse, porque cabe à juventude o vigor e a intensidade de luta por dias melhores. Ocorre que melhores dias somente serão possíveis com trabalho, dedicação, inspiração, coragem e, especialmente, por um inegociável amor naquilo que se faz. Nunca conheci um homem de sucesso que não amasse o que fazia, pois o trabalho feito com amor deixa de ser um peso e transforma-se em uma força capaz de superar os mais difíceis obstáculos. Os exemplos estão aí e não faltam: quem ama o que faz usa a inteligência para descobrir novos caminhos, deixando aflorar naturalmente uma criatividade inovadora.

É claro que, além de pensar em modelos ideais, o fundamental é dar o primeiro passo. Afinal, nada cai do céu. Alguns chamam o sucesso de sorte; outros, de competência. Se sorte e/ou competência, regra geral, os que triunfam na vida são dotados de um poder especial que não os faz desistir jamais; enfrentam com coragem as dificuldades, resistem com bravura sobre o que lhes quer derrubar e vão com firmeza atrás dos seus sonhos, fazendo valer uma mentalidade vencedora. Eis, aí, a energia interna que guia o empreendedor: querer vencer.

Falando nisso, não podemos esquecer que o ser humano é um empreendedor nato.  Ao nascer, ele recebe a missão de fazer a sua vida e construir o seu futuro. Como não sabe falar, o bebê intuitivamente aprende a se virar sozinho, fazendo do choro seu instrumento de luta pela sobrevivência. Aos poucos, o bebê vai ganhando manha e graça e, ao invés do choro, passa a fazer uso de um sorriso encantador capaz de derreter o mais duro dos corações. Enfim, um nenê usa e abusa dos seus talentos, provando que a vulnerabilidade humana, se inteligentemente trabalhada, pode ser vencida com absoluta competência.

Certa vez, escutei uma frase que jamais esqueci: “Tens o maior tesouro da vida: a juventude”. Mas tal tesouro só se torna valioso quando damos um sentido para nossas vidas, fazendo do viver uma experiência transformadora. Falo isso porque o Brasil precisa de uma nova mentalidade institucional. Uma mentalidade que valorize o sucesso individual ao invés de puni-lo com a inveja; uma mentalidade que estimule o talento, o sonho e a liberdade. Uma mentalidade empreendedora que dê vida a outras vidas, elevando a cidadania brasileira para um estágio mais digno e de maior consciência política. Se quisermos um país e um mundo melhor, temos que começar agora. E o agora é justamente a matéria-prima para a grande obra da juventude.

 

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