Autor Convidado: Bernardo Weaver

Há poucos países no mundo com mais fatalidades ocasionadas por acidentes de trânsito que o Brasil. É de se compreender que, grosseiramente falando, não há muitas variáveis nesta estatística. Como fator principal temos a maneira de dirigir dos motoristas, que tende a fazer aumentar o número de mortes na medida da imprudência. Também de igual importância é a condição das estradas nas quais trafegam os automóveis. Pois, quanto melhor sinalizadas, menos acidentes haverá. Por último, devemos considerar os carros conduzidos pelos motoristas e os equipamentos de segurança neles presentes, que potencialmente diminuem o número de mortes e ferimentos. Quanto às duas primeiras variáveis, dependeram quase que exclusivamente de posturas coletivas ou, eventualmente, governamentais, com as quais dificilmente poderemos contar. Contudo, percebe-se que o terceiro fator sofre influência tão somente da escolha de carros mais seguros pelo motorista. Neste ponto começam os problemas do consumidor brasileiro. Impostos altos demais não são novidade para os consumidores nacionais. Ocorre que, neste caso, o problema não são impostos pagos, e, sim, aqueles que, de tão altos, dissuadem o consumo de certos bens. A esta idéia se dá o nome de extra-fiscalidade dos impostos. Tributa-se de maneira excessiva produto importado, evitando que este possa competir no mercado nacional. Em nome de uma teórica proteção ao mercado nacional e os empregos gerados pelas montadoras o consumidor brasileiro é obrigado a comprar veículos obsoletos por preços altíssimos. Torna-se mais fácil perceber a problemática quando tratada em números. Pelo preço de um Fox brasileiro, R$ 35.000, compraríamos um Jetta americano, carro que é vendido por R$ 82.500 no Brasil. Isto porque o brasileiro paga 49% de Imposto de Importação e outros 25% de IPI quando compra veículos importados, o que causa as distorções mencionadas. Em 2004 havia 309.000 trabalhadores na indústria automobilística, ganhando em média R$ 2.032,14, duas vezes a renda média nacional. Nos últimos nove anos morreram 295.703 pessoas em acidentes automobilísticos. O envelhecimento da frota acaba por contribuir para que nossa mortalidade por número de carros seja quatro vezes maior que nos países desenvolvidos. Quantos empregos na indústria metalúrgica valerão uma vida? Não o saberemos tão cedo… Isto porque no Brasil de hoje é mais fácil que vejamos as ONG’s em campanha pela proibição dos carros para acabar com as mortes no trânsito.

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