Quem acredita em estrelas?

nelson motta

A perigo de dançar na troca de cadeiras de Dilma, o ministro do Turismo, Gastão Vieira, publicou artigo nos jornais anunciando seu grande projeto: recadastrar todos os hotéis do Brasil e classificá-los com estrelas. A justificativa é que o turista paga um hotel de tantas estrelas, mas chega aqui e se decepciona. Bem, isso era no século passado, hoje ninguém faz uma reserva sem antes ver fotos e vídeos nos sites dos hotéis, ler as criticas dos hóspedes e avaliar preços, serviços e quartos. Ninguém liga mais para estrelas, ministro.

Propaganda enganosa, ciladas e otários sempre vão existir, mas para isso existe o Procon. Para o ministro, a atual classificação por estrelas dos hotéis “provocou constrangimentos durante dez anos e perda de confiança na hotelaria brasileira”. As estrelas, não os péssimos serviços e preços abusivos.

Então, com dez anos de atraso, anunciou o SBClass – Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem, o bolsa-estrela. Para quê? Basta os hotéis manterem seus sites atualizados – o que todos já fazem, como marketing: hoje são os consumidores que dão as estrelas.

Imaginem quanto vai nos custar esse plano genial, tão atrasado quanto inútil?

O projeto estelar oficial fez viagens e oficinas, pesquisas em 24 países, seis cursos de capacitação e 26 avaliações-piloto, contratou 300 especialistas. Mas o ministro estranha que só 30 dos 6.260 hotéis brasileiros tenham se interessado no SBClass. Por que será ?

Imaginem quanto vai nos custar esse plano genial, tão atrasado quanto inútil? E, como sempre no Brasil, alguns vão querer uma estrela a mais na camaradagem, ou coisa pior, para enganar os otários.

Falando em estrelas, o Movimento Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, que conquistou 25% dos votos na Itália e elegeu 166 parlamentares, divulgou suas contas de campanha: arrecadou 570 mil euros (1,5 milhão de reais) com cerca de 15 mil doações individuais e média de 40 euros per capita. Quase tudo foi gasto na montagem de palcos, som e luz dos comícios, as sobras da campanha vão ser doadas às vitimas do terremoto na Emilia. Quem precisa de empresas ou financiamento publico quando tem novas propostas e a internet?

Fonte: O Globo, 22/03/2013

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