O que tem a ver o cara que urina na rua e o castelo do deputado mineiro? E os camelôs de DVDs piratas no Centro, sob olhos da PM da esquina? E a tentativa de assalto aos fundos de pensão? E o estacionamento de carros nas calçadas? E a utilização da merenda escolar em campanhas eleitorais? Tudo!

E é por isso que um choque de ordem que tenta dar conta do nosso caos urbano apenas pela repressão na ponta não vai dar certo. Pois ele não parte da compreensão verdadeira das motivações da desordem. Vivemos há anos a deteriorização dos valores elementares de civilidade, sofremos pela força da desordem consensual que pouco distingue o público do privado e vemos criminoso processo de impunidade com os mais clamorosos crimes se alastrar, na esfera pública e na privada. E assim, com exemplos desta natureza, se criam as mentalidades, faculdades que temos para agir de um modo ou de outro.

O avanço da democracia é acompanhado pelo aparelhamento do Estado por apadrinhados que têm como fim projetos de grupos de se perpetuar no poder e auferir ganhos materiais. Sabendo disso, podemos entender porque o nosso vizinho faz um “gato” no fio da rua ou até um churrasco na esquina ao som de sua música de preferência no mais alto volume e não vê problema nisso. Se as ações não são da mesma gravidade, são da mesma qualidade, pois estão ancoradas na sensação de impunidade e na não-distinção do que é público e privado.

Reprimir a desordem no espaço que deve ser de todos é dever do governante e devemos torcer para que, pelo menos, melhore a sensação de descalabro. Mas, para dar certo, terá que vir no meio de outro pacto com a cidade e o País, uma nova forma de fazer política, com mais rigor na aplicação das leis. Pois se as mentalidades não mudarem, e isso leva tempo, nada mudará.

(O DIA – 05/03/2009)

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1 comment

  1. ana paula

    é verdade, tenho uma vizinha infernal, todo sabado e domingo o sonzinho dela começa a tocar das 8:00 da manha e vai ate meia noite.Ha é no volume mais alto!!!!!!!
    estou quase ficando louca!!!!!!!!! pois é os dias que tenho para estudar.
    agora entendi é a senssacao de impunidade se as regras nao sao efetivadas para os politicos, porque nao podemos escutar nosso sonzinho, nao estamos cometendo crime algum.”salvo com respeito ao meu semelhante”.
    cada vez mais me convenco de que temos como cidadao de fazer cada um a nossa parte. mesmo que sejamos tachados de chatos reclamarrrrr nossos direitos.
    pois essa mentalidade precisa ser destruida, caso nao seja onde vamos parar?