Reforma da previdência

O presidente do BNDES, economista Luciano Coutinho, tem razão ao incluir a lembrança da época da inflação galopante entre as causas dos juros elevados no país.

Naquele tempo, as pessoas e empresas que tinham dinheiro guardado recebiam rendimentos polpudos por suas aplicações – e a expectativa de manter essa realidade ainda está presente entre elas.

Espera-se pelos investimentos de curto prazo rendimentos que – dadas as condições de estabilidade que o país vive desde o Plano Real, em 1994 – só se justificariam em prazos longuíssimos.

Coutinho, que desenvolveu esse raciocínio na sexta-feira passada, na solenidade promovida pela revista “Banco Hoje” para a entrega do prêmio “Bem Sucedidos” referente a 2009, entende que o país precisa desenvolver mecanismos de poupança capazes de reter os recursos necessários para financiar o desenvolvimento nos próximos anos.

Será muito difícil para o país continuar crescendo à custa de recursos externos que entram e saem quando bem entendem e de um dinheiro caro.

Ele não falou a respeito nem foi perguntado sobre isso. Mas o discurso de Coutinho trouxe a lembrança de um tema que andou esquecido nos últimos anos: a reforma da previdência.

Conforme dissemos dias atrás neste mesmo espaço, o Brasil não conseguirá manter por muito tempo o atual cenário previdenciário em que as contribuições dos trabalhadores da ativa pagam os vencimentos dos aposentados.

Para que isso não signifique um fardo sobre os ombros de quem trabalha, é preciso que haja no mercado muito mais jovens do que velhos – algo que, há muitos anos, deixou de ser a realidade demográfica do Brasil. Para o modelo não desmoronar, é preciso substitui-lo pelo regime de poupança.

Nele, os trabalhadores de hoje guardam o dinheiro que os manterão no futuro. É a única forma de gerar um estoque de poupança sólido, de longo prazo e barato.

Não é fácil. Por mais necessária que seja, custo político dessa mudança é elevado e ela dificilmente será proposta por políticos que temam perder a popularidade.

A menos que… Bem, existe pronto no Brasil um modelo capaz de resolver o problema de uma forma inteligente e prática. Ele foi elaborado pelo ex-presidente do BNDES, André Lara Rezende, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Já estava concluído, mas não foi chegou a ser apresentado no momento em que Rezende deixou o posto. Recuperá-la e colocá-la em discussão o quanto antes seria positivo para o país. Muito positivo.

Fonte: Brasil Econômico, 25/04/2011

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