O mar de lama que assolou o Rio se transformou numa ressaca, de denúncias contínuas. Por que aqueles articulistas que influenciaram ativamente a opinião pública contra o Guggenheim, hoje não se manifestam? É certo que município e estado aumentaram a verba publicitária escandalosamente, mas será que a mídia vive nesta realidade virtual propagada?

Será que o empresariado da construção civil não consegue enxergar que com toda essa especulação imobiliária, até o final das Olimpíadas, quando serão construídos “30 anos em 5” na Barra e mais a revitalização da área portuária, se provocará uma concentração de imóveis onde todos irão perder? Já há um encalhe de imóveis usados. Como não há um plano diretor mostrando para onde a cidade irá se desenvolver e resolvendo o problema dos subúrbios e da periferia, como ficará a economia com o final dessas obras, das de infraestrutura, do PAC e olímpicas? Desemprego geral na construção civil, arrastando todo o setor de produtos e serviços?

Se hoje o percentual de jovens empregados é o menor do país, imagine o que vem pela frente. O leitor deve atentar para o fato de que a cada UPP, cresce o número de jovens desempregados e sem escolaridade e que não está sendo produzido um mercado de trabalho que os absorva. Estamos no fundo do poço, com total falência dos serviços públicos e privados, consequência de mais de meio século de incúria administrativa, que está se eternizando como estamos vendo no dia a dia, enquanto, “supostamente”, os administradores públicos estão enriquecendo descaradamente.

A toda hora pipocam greves, como essas dos professores que têm um salário ridículo, o que infelizmente é realidade em todo o setor público. Se a situação já é ruim, estamos armando uma mega bomba para 2016, quando poderíamos estar comemorando a revitalização da economia. E todos ficam nessa letargia?

Esta alienação começou com a ditadura, que já acabou há décadas, e até agora a sociedade não descobriu que a participação ativa é que faz a democracia funcionar? Política é a forma mais elementar de manifestação do ser humano, estando presente na vida de qualquer um desde o nascimento. Tem política para tudo e tudo é político. Resta tentar entender por que no Rio a sociedade discute e comenta, mas não participa ativamente da política. Sociedade que não é ativa é governada pelos poucos que são ativos e que cuidam somente de seus interesses pessoais, como estamos assistindo estarrecidos.

Outro ponto é o planejamento, que é de curtíssimo prazo sempre e muda de acordo com o político da vez, que, como vemos, sempre teve outros interesses. Não está na hora de acordarmos e nos unirmos por um pacto de desenvolvimento socioeconômico, cultural e ambiental, onde haja um real aumento da renda per capita e ganhos em todos os diversos setores que compõem a qualidade de vida?

Por que não nos unimos por um desenvolvimento estratégico planejado em curto, médio e longo prazos, com todos os segmentos entrelaçados por um planejamento econômico que tenha uma âncora clara que projete um desenvolvimento socioeconômico, cultural e ambiental apoiado em metas factíveis, que garantam uma arrecadação que possibilite a revitalização de toda a infraestrutura dotando o Rio de uma qualidade de vida única?

O Rio está diante de uma oportunidade única de se reinventar, como outras cidades que tinham problemas iguais ou piores do que os nossos conseguiram, e vai ficar nessa imobilidade?

A revitalização das áreas portuárias em todo o mundo foi voltada para a indústria do turismo, porque ela é a maior do mundo, e onde foi utilizada como instrumento de transformação teve resultado com o retorno do capital investido multiplicado no curtíssimo prazo. Imagine o que pode acontecer aqui, que tem o maior potencial comprovado do mundo, se o turismo fosse utilizado como a âncora de uma revitalização socioeconômico, cultural e ambiental que unisse toda a sociedade?

Haveria sim um forte crescimento da renda per capita, da indústria criativa em todos os seus diversos setores, e o Rio se tornaria a vanguarda mundial do setor, atraindo o setor de serviços internacional entre outras benesses. Porque o Rio não acorda para este fato? Essa é a hora.

 

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