Salve a estatística. Quem se importa com o ensino brasileiro?

Um ano de eleição majoritária como este força naturalmente a economia a movimentos antagônicos. Há uma aceleração imensa de fluxo de capitais e recursos em determinados setores, normalmente aqueles diretamente envolvidos no processo eleitoral ou de financiamento do mesmo. Na outra ponta, há uma série de outras empresas, que dependem de fatores como ambiente regulatório ágil e sério, agentes de fomento sólidos e oferta de crédito que acabam interrompendo o que pareciam ser ciclos sólidos de crescimento em função de barreiras “indiretas”.
Por força de um projeto que desenvolvemos em nossa empresa para um cliente da área educacional (que obviamente e por força de contrato terá sua identidade preservada) tenho andado em alguns lugares do Brasil como Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Natal, Rio de Janeiro e ainda teremos mais 11 cidades a cumprir. Minha empresa trabalha com Fundos de Investimento internacionais que têm interesse em alocar recursos em empresas emergentes no mercado brasileiro. A educação é recomendada por nós como uma área de concretas oportunidades de maximização de resultados a partir da profissionalização dos sistemas de ensino.
Invariavelmente precisamos traçar paralelos do Ensino Privado e público como que realizando uma espécie de “análise de SWOT” do seguimento educacional. É vergonhoso o “estado da arte” das coisas.
Instituições públicas com grande histórico acadêmico simplesmente largadas, com sua qualidade sepultada em detrimento de um acréscimo de “número de alunos” visando uma míope consolidação do ensino público nacional. O MEC credenciando cada vez mais instituições particulares sem o mínimo de estrutura de capacitação.
Vivemos em um eterno dia da mentira. Nossos dados estatísticos são pobres, cientificamente contestáveis e influenciados por uma quantidade imensa de oferta de vagas que fazem qualquer coisa, menos preparar quem quer que seja para uma condição minimamente satisfatória de performance profissional.
A falta de regulação, de fiscalização e como sempre em nossa história, de credibilidade nas instituições públicas (aqui refiro-me às que controlam e fomentam) está fazendo com que haja uma dispersão de interesse para outras áreas ou infelizmente até outros países neste fluxo de capital internacional.
O Brasil é a bola da vez do mundo. Estamos exatamente onde os holofotes iluminam. Caberá a cada um de nós direcionar esforços para que não nos tornemos um eterno “país do futuro”, que perdeu o bonde da história porque seus governantes preferiram uma “nação ignorante e submissa” a uma questionadora mas que poderia forçar a redução do tamanho do Estado.
Se somos um “gigante pela própria natureza”, devemos em cada passo de nossa trajetória batalhar pela consolidação do conhecimento. Devemos ser uma nação crítica, pronta para debater, para escolher seus governantes e monitorá-los. Uma nação composta por pessoas que agem e exercem realmente seus direitos de cidadãos e não somente “habitantes”. A diferença será fazer a estatística ou ser a estatística. Pra onde vamos?

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1 comment

  1. Guilherme Gentile

    Parabéns pelo artigo, bem objetivo e claro.
    É o que eu sempre digo, o brasileiro deve abandonar o “papel” de mero espectador da ineficácia da máquina pública e se engajar em movimentos para a melhoria da mesma, seja combatendo a corrupção ou reivindicando uma educação de qualidade, (sendo essa uma prioridade atualmente) o desdém da massa por política me assusta, não sabem a dimensão do seu poder democrático.