Sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
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Segurança cibernética

O governo dos EUA acaba de publicar importante documento que discute, de forma transparente, a estratégia do Pentágono para garantir sua segurança cibernética. O documento de 33 páginas trata da resposta dos EUA à espionagem aos cidadãos e às empresas e aos ataques a setores sensíveis do governo, por hackers e governos estrangeiros.

O documento do Pentágono estabeleceu cinco objetivos para as missões de defesa cibernética:

— Criar e manter preparadas forças e capacitações para conduzir operações no espaço cibernético;

— defender a rede de informação do Departamento de Defesa, tornando seguros seus dados e mitigando os riscos nas missões do Pentágono;

— estar preparado para defender o território americano e os interesses vitais dos EUA contra ataques cibernéticos de consequência significativa;

— montar e manter opções viáveis de operações de cibernética e planos para utilizar essas opções a fim de controlar escaladas de conflitos e controlar o ambiente de conflito em todas as etapas;

— construir alianças e parcerias internacionais para conter ameaças comuns e aumentar a segurança e a estabilidade internacionais.

O foco tornou-se mais amplo para incluir o desenvolvimento de instrumentos de ataques que darão aos EUA armas ofensivas para serem utilizadas para quebrar a rede adversária, se as circunstâncias exigirem.

Não deixa de ser preocupante que a nova estratégia preveja também o investimento em planejamento e a criação de instrumentos ofensivos

O documento estabelece as formas pelas quais os EUA usarão as armas cibernéticas. A detecção e a resposta de ataque de rotina a bens privados como roubo de propriedade intelectual serão responsabilidade das companhias privadas, que controlam 90% das redes cibernéticas. O governo terá um papel específico na defesa contra os ataques mais sérios (estimados em cerca de 2%), descritos no documento como envolvendo “perda de vida, danos significativos à propriedade, consequências adversas graves para a politica externa americana ou sério impacto econômico aos EUA”. A resposta inicial a esses ataques começará por um conjunto de agências especializadas (NSA, FBI, CIA). Em seguida, por determinação presidencial, os militares poderão conduzir operações para contra-atacar “ataque iminente ou em curso contra o território americano ou a interesses dos EUA no espaço cibernético”.

Não deixa de ser preocupante que, além do interesse defensivo, a nova estratégia preveja também o investimento em planejamento e a criação de instrumentos ofensivos, o que poderá levar à rápida militarização do espaço cibernético, com o aparecimento de nova frente de conflito.

No Brasil, engatinhamos na proteção da segurança das comunicações governamentais e privadas. O Centro de Defesa Cibernética — previsto na Estratégia Nacional de Defesa — criado no âmbito do Ministério da Defesa em 2010, continua afetado pela falta de recursos financeiros. A situação atual, descrita pelo ex-ministro Celso Amorim como “vulnerável”, tem se agravado pela velocidade das mudanças e pela intensificação dos ataques cibernéticos em nossas redes de informação.

Fonte: O Globo, 25/8/2015

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