Será que o povo acordou de seu sono letárgico?

Há muitos anos que eu vinha dizendo que o povo brasileiro estava totalmente imerso num sono letárgico. Mas, depois das marchas de 15 de março, parece que ele começa a despertar. Ou não?!

Digo isto não só pela quantidade de pessoas, jovens e velhos, famílias inteiras que foram para as ruas em protestos pacíficos, sem a presença de black blocs e outros grupos de baderneiros. Mas também por outros fatores inéditos até então.

Com maior ou menor densidade de manifestantes, essas marchas se estenderam por todas as grandes cidades do país e até mesmo por cidades médias do interior.

Diferentemente de marchas anteriores, elas não foram convocadas por partidos políticos, mas sim por redes sociais, coisa esta impossível sem a internet.

Havia pequenos grupos pedindo a intervenção militar, outros pedindo o impeachment de Dilma, mas a nota dominante da maioria era um protesto contra a corrupção e o estado de coisas político-econômico.

Ficou bastante claro que se tratava de um movimento político suprapartidário levado adiante pela sociedade civil organizada.

Pouco importa se, na Avenida Paulista, participaram mais de 1 milhão de pessoas, segundo a Polícia Militar, ou se foram apenas 250 mil, segundo a “Folha de S. Paulo”.

O que importa é que foi um número bastante expressivo de cidadãos brasileiros indignados com tudo isto que aí está.

O Governo não poderia, ainda que assim desejasse, permanecer alheio e indiferente às portentosas manifestações de 15 de março, uma data que certamente entrará para a História do Brasil.

O que importa é que foi um número bastante expressivo de cidadãos brasileiros indignados com tudo isto que aí está

Sua primeira reação foi mandar para a TV dois ministros com a missão de acalmar os ânimos da população, mas que se limitaram a repetir o que a própria Dilma dissera após as marchas de junho-agosto de 2014.

Como o clamor popular contra a corrupção era um dos mais fortes, os ministros de Dilma creditaram a causa da mesma ao financiamento privado das campanhas, prometendo substituí-los pelo financiamento público.

Ora, tal mudança é inócua no combate à corrupção e só seria boa para os partidos da situação: PT e PMDB. Além disso, a causa apontada estava errada.

Nas campanhas eleitorais não são os financiamentos privados os causadores da corrupção, mas sim, como é sabido de quase todos, o Caixa 2, ou “dinheiro não contabilizado”, segundo o hilariante eufemismo do mensaleiro Delúbio.

De qualquer maneira, os discursos dos ministros não convenceram ninguém, a não ser os parvos que ainda acreditam no velho refrão de propaganda: O PT é um partido que não rouba nem deixa roubar.

Acredito que Getúlio Vargas foi um presidente honesto que não roubou, mas deixou outros roubarem. Mas o PT dificilmente pode dizer que não deixou roubar, muito menos que não roubou.

Está aí mesmo o Petrolão para confirmar isso que dissemos. Quanto a Vargas, parece que ele estava consciente da roubalheira feita por membros de seu segundo governo. E o indício foi uma afirmação sua: “Metade dos que me cercam não é capaz de nada, a outra metade é capaz de tudo”.

Fonte: Instituto Liberal, 17/3/2015

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