Suprema impunidade

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A impunidade é um dos principais males do Brasil. A corrupção se prevalece dos mecanismos protelatórios da Justiça e seus foros por prerrogativa de função, que tornam a prestação jurisdicional mais lenta, para se espalhar pelas entranhas do poder público. A certeza da punição é um dos mecanismos mais eficientes para prevenir os crimes. Portanto, se nossa nação deseja ver o fim da corrupção, esta precisa necessariamente vir acompanhada do fim da impunidade.

Esse foi o grande diferencial da Lava Jato desde o princípio, ou seja, a coragem de um juiz e um grupo de jovens procuradores de usar os mecanismos judiciais existentes no Brasil para atacar a corrupção. A força-tarefa da Lava Jato pediu a prisão de uma série de envolvidos com desvios de dinheiro público. Os políticos com mandato infelizmente ficaram de fora, uma vez que são amparados pelo foro privilegiado. Entretanto, todos aqueles políticos sem mandato, seus operadores e marqueteiros que trabalhavam no submundo da corrupção, conheceram as celas de Curitiba e, mais recentemente, do Rio de Janeiro.

A popularidade avassaladora da Lava Jato reside exatamente neste ponto. Pela primeira vez a sociedade enxerga com clareza que existem instituições no Brasil trabalhando pelo fim da impunidade. As prisões, conduções coercitivas, sentenças e colaborações premiadas que fazem avançar as investigações são a prova concreta de que existe um novo Brasil nascendo do esforço de jovens profissionais que desejam ver a corrupção ser combatida em nosso país.

Se de um lado as investigações avançam, do outro a resistência dos políticos aumenta. As ações visando frear a Lava Jato já perderam todo o pudor, como vimos com a lei de abuso de autoridade e a recente proposta de reforma política. Romero Jucá deixou muito clara a posição dos políticos em gravação que acabou nas mãos da Procuradoria Geral da República (PGR): era preciso estancar a sangria da Lava Jato.

Se no Legislativo as manobras de blindagem ficam cada vez mais nítidas, no Judiciário já se tornaram uma realidade. Comandado pelo ministro Gilmar Mendes, iniciou-se um processo de soltura de presos já condenados pelo juiz federal Sergio Moro, mas que ainda aguardam recurso na segunda instância. A lista, que possui José Dirceu como a principal estrela, deve crescer. Podem em breve se juntar ao ex-ministro da Casa Civil do governo de Lula, nomes como Eduardo Cunha e Antonio Palocci. A posição da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal brasileiro serve aos anseios dos políticos dos partidos envolvidos em malfeitos e ataca frontalmente o combate aos corruptos que orgulha tanto nosso país. A sangria da Lava Jato começou a ser estancada.

Estamos diante de um conflito geracional. Enquanto jovens procuradores procuram aplicar a lei, representantes da velha política, entrincheirados em seus gabinetes em Brasília, atacam a limpeza que emana de Curitiba. Que a suprema impunidade encontre seu fim diante da vontade do povo de limpar a política em 2018.

Fonte: “O Tempo”, 8 de maio de 2017.

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