Tendência do saldo comercial é de queda

Estudo recente do Departamento de Competitividade e Inovação da Fiesp mostra impressionante fotografia da atual situação de um importante setor produtivo pela geração de emprego. A balança comercial brasileira apresentou déficit de US$ 3,96 bilhões em 2014, o pior resultado desde o ano de 1998. A indústria de transformação foi a grande responsável por tal resultado, com déficit comercial de US$ 58,86 bilhões, o maior já registrado pelo setor. Os demais setores (agricultura, industria extrativa e outros) apresentaram superávit de US$ 54,90 bilhões.

Desde 2007, o saldo comercial vem apresentando tendência de queda, puxada pelo mau comportamento do setor industrial, em consequência da perda de competitividade da economia. Os problemas enfrentados pela indústria de transformação, como o elevado Custo Brasil e a taxa de câmbio sobrevalorizada, agravados a partir de 2008, se refletiram no resultado comercial do setor, que se tornou crescentemente deficitário com o passar do tempo.

O trabalho da Fiesp mostra uma rápida “reprimarização” da pauta das exportações brasileiras no período 2006 a 2014: perda de participação da indústria de transformação e aumento da participação da agricultura e da indústria extrativa. A reprimarização da pauta exportadora torna o país dependente dos preços das commodities e mais vulnerável a choques negativos externos.

A indústria nacional, que representou em meados da década dos anos 80 cerca de 25% do PIB nacional, representa hoje 13%

A substituição, no consumo interno, de produtos nacionais por importados, devido aos altos custos que impedem a indústria nacional de competir com concorrentes externos, é um fato. A indústria nacional, que representou em meados da década dos anos 80 cerca de 25% do PIB nacional, representa hoje 13%. Com a recente revisão do PIB nacional a indústria caiu ainda mais, estando ao redor de 11%, com viés de queda.

As medidas recentes e necessárias visando a um forte ajuste para corrigir as distorções econômicas e as políticas equivocadas seguidas nos últimos 12 anos dificultam a reação do setor privado. A indústria de transformação em São Paulo desempregou em 2014 mais de 125 mil trabalhadores. A continuação da tendência de perda de mercado interno e externo pelo setor fará aumentar o desemprego.

O anunciado Plano Nacional de Exportação pouco efeito terá se a questão da perda sistêmica da competitividade não for atacada de frente por meio das mudanças que se fazem necessárias para reduzir o custo Brasil.

As perspectivas do comércio exterior brasileiro para 2015 apontam para uma drástica redução das importações e das exportações, tanto no preço como no volume exportado. A Funcex projeta US$ 208,8 bilhões de exportações, menos 7,2% em relação a 2014, e US$ 206,6 bilhões de importações, menos 9,8%. Com a queda dos termos de troca, o intercâmbio comercial se reduziria para US$ 415,4 bilhões, contra US$ 481,8 bilhões em 2013.

A falta de um projeto nacional e a ausência de uma estratégia de comércio exterior tornam difícil uma reversão a curto prazo da tendência de queda da participação da indústria na formação da riqueza nacional e da primarização de nossa pauta de exportação.

Fonte: O Globo, 24/3/2015

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