Paulo Brossard

O governo está enfrentando algumas dificuldades, e outras estão em gestação, e não me refiro ao problema da energia elétrica; algumas não começaram com o atual governo, mas este aceitou-as sem reduzi-las; não ignoro que medidas nesse sentido podem não ser fáceis, e não é de hoje que a administração seja afeita a um empirismo teimoso e pervicaz para consagrar uma espécie de círculo vicioso econômico, a elevada carga fiscal é uma delas e cada vez mais pesada; diga-se de passagem que o governo tem gasto muito, mas, na generalizada opinião dos competentes, no que não é fundamental. Suponho ter dito o suficiente e para resumir lembro que tudo veio à tona quando se tornou pública a denominada “desindustrialização” da indústria metalúrgica; soou então o alarme e com ele a promessa de correção; confesso ignorar se concretizada. Não demorou muito, e fenômenos semelhantes sucederam-se com a indústria automobilística, envolvendo significativo segmento industrial, talvez o mais importante; sem demora, o setor de objetos domésticos deu sinal de sua carência. Medidas adotadas eram de curta duração; aliviavam, mas não removiam o mal; como uma espécie de aspirina, servia para baixar a febre, mas permanecia intocada a neoplasia. Por fim, as medidas adotadas, por serem transitórias, não podiam durar sempre, e as agruras retornavam à medida que a situação anterior voltava.

Mas, como diz a sabedoria popular que o inferno está cheio de boas intenções, há fatos antes apenas previstos e agora de tal grandeza, que se tornaram inegáveis.

E há quem se admire de que o PIB no ano passado não tenha chegado a 1%…

No penúltimo dia do ano findo, um dos grandes jornais do país, “O Estado de S.Paulo”, em duas páginas, cuidou de dois assuntos distintos, mas interligados e ambos de suma gravidade: a insolvência de pessoas que foram levadas a adquirir inclusive veículos em 60, 70 e até 80 prestações mensais; sob a impressão de justificada ascensão social, começavam a entrar numa espiral que as conduziria à desgraça; a outra aludia ao leilão de 200 mil carros dos quais, com uma ou duas prestações pagas mais nada, de expressão de status social tomavam o caminho do leilão. Os números são impressionantes e, a meu juízo, se devem à propaganda enganosa promovida pelo governo; a demonstrá-lo basta dizer que, para atingir o seu plano, instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Federal compraram uma metade do Banco Votorantim, e outra do Panamericano, este quebrado por sinal, coisa que não foi vista pelo Banco Central nem pelos compradores.

O mesmo jornal na mesma edição noticiou que “sem pagamento, 200 mil carros serão leiloados”, e acrescentava “se o Brasil alcançou o quarto lugar na lista de maiores mercados de veículos do mundo, seus consumidores penam para poder pagar prestações”. Os dados são alarmantes e suas consequências gigantescas, frutos da incúria senão da cegueira dos promotores desse fantástico carnaval que se converteu num grave, gravíssimo problema social, como diria José Dias, o personagem de Machado de Assis, que não sabia manifestar-se senão mediante superlativos. Em 2010, se a inadimplência era de mais de R$ 23 bilhões, em 2012 passava de R$ 44 bilhões, à conta de bancos, financeiras e cartões de crédito.

Há outros dados também ilustrativos, mas parece-me bastante o que ficou dito.

E há quem se admire de que o PIB no ano passado não tenha chegado a 1%… quando apregoavam atingiria 4%!

Fonte: Zero Hora, 21/01/2013

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2 comments

  1. Francisco Quiumento

    Não havia outro resultado possível.

    Economias não podem ser fomentadas por crédito.

    Tão simples quanto isso.

  2. Lenine da Silva

    Quando se fala em políticas socio-economicas sempre haverá uma situação derivativa, como dizia Juca Pato, poderia ser pior, quando se le Adam Smith indo a Milton Friedman, e deixa de ler Kaynes, o crítico perdeu a oportunidade de ficar quieto, somos um País de altissima desigualdade social e somente o Capitalismo de Estado poderá nos levar a inclusão de milhares de brasileiros, ter um mercado demandado, distribuição da renda, geração de milhares de emprego, não se fala em País rico, se fala em povo incluso, se mede um Naçao pela felicidade que ela proporciona ao seu povo, PIB sem distribuição de renda é falar do inútil, Juros alto é transferência de renda do povo para o rico, o que fizeram os neoliberais em 12 anos de governo, geraram mulhares de desempregados, quebraram o sistema financeiro e a industria, nosso País hoje é exemplo, no passado eramos humilhado pelos organismos Internacionais, de pires na mão nosso Prtesidente chorava se lamentava, e era tido como incompetente.