Tombo do PIB não derruba mercados

Uma série de bons sinais da economia norte-americana acabou impulsionando os mercados nesta terça-feira. No Brasil, nem o tombo do PIB no quarto trimestre foi capaz de reverter este bom humor. A retração no quarto trimestre acabou maior do que o esperado, chegando a 3,6% contra o anterior, já sinalizando uma recessão técnica na economia brasileira.

Sobre os bons ventos dos EUA, contribuiu um discurso pró-ativo do Presidente do Fed Ben Bernanke, defendendo uma ampla reforma do sistema financeiro, assim como o bom resultado do Citi no primeiro bimestre deste ano, o que pode ser um indício de superação do pior da crise.

Já em relação ao PIB nacional, o mergulho no quarto trimestre, contra o anterior, foi de 3,6%, com o pior desempenho ficando com a Indústria, despencando 7,4%, maior recuo desde o quarto trimestre de 1996 (-7,9%), seguido pelo setor Agropecuário (-0,5%) e os Serviços (-0,4%). Contra o mesmo trimestre do ano anterior, a alta foi de 1,3% e no ano a expansão chegou a 5,1%, com a taxa de investimento chegando a 19% do PIB, a maior desde 2000.

Pelo lado da demanda agregada, por outro lado, a Formação Bruta do Capital Fixo mergulhou 9,8%, sendo um dos principais causadores para esta taxa negativa do PIB, o Consumo das Famílias recuou 2% e do Setor Público avançou 0,5%. Pelo lado externo, as exportações recuaram 2,9% e as importações 8,2%. No crescimento anual (5,1%), a renda per capita avançou 4%, com a Agropecuária como destaque, avançando 5,8%, seguida pelos Serviços (4,8%) e a Indústria (4,3%). No subsetor da indústria, a construção civil avançou 8%, seguida pelo subsetor eletricidade, gás, água e esgoto (4,5%), extrativa mineral avançando 4,3%, com destaque para a produção de petróleo e gás (5,2%).

Sobre esta forte queda do PIB, é nossa opinião de que este movimento negativo deve se repetir no primeiro trimestre de 2009, com a recessão técnica se tornando realidade. Por outro lado, há os que já consideram este quadro de recessão como dado, em razão do forte mergulho do PIB entre o terceiro e o quarto trimestre de 2008, de 1,7% positivo para 3,6% negativos. Além disto, o carry over, ou seja, o “efeito estatístico” de um ano para outro, deve ficar em torno de 1,0% a 1,5% negativo, o que impactará no PIB deste ano. Isto significa que se a economia zerar neste ano, estará recuando 1,0% a 1,5% em função deste “efeito estatístico”. Sendo assim, estamos prevendo um crescimento do PIB em torno de 1,5% neste ano de 2009, com o grande tombo da Indústria e a safra mais fraca do setor agrícola.

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