Transição internacional para uma economia verde

Uma dimensão fundamental de uma economia internacional verde é a baixa intensidade de carbono. A transição consistente para uma economia verde supõe a redução contínua das emissões de carbono (países desenvolvidos) e uma diminuição acelerada da curva de crescimento de emissões com ano de estabilização e início de redução anterior a 2020 (países emergentes de renda média). No caso dos países ricos deveria haver uma acelerada diminuição das emissões per capita e no caso dos países de renda média uma acelerada redução da intensidade de carbono do PIB e uma leve e continuada queda das emissões per capita. Os países pobres teriam ainda espaço para um crescimento das emissões totais e per capita.  Deveria haver uma diminuição acelerada da intensidade de carbono do PIB em todos os países.

Treze países (considerando a União Européia de 27 como uma unidade) são responsáveis por de 80% das emissões globais e constituem os dois grupos cruciais das “grandes potências” e das “potências medias”.  Os dados de proporção aproximada de emissões globais de cada país em 2009 estão entre parêntesis. As “grandes potências” são três – EUA (19%), China (24%) e União Européia (15%) – e somam aproximadamente 58% das emissões globais de carbono. A União Européia está isolada na defesa de uma arquitetura global efetiva para a transição rápida para uma economia de baixo carbono. EUA e China resistem a um acordo global para a transição para o baixo carbono. As “potências medias” são dez: Índia (7%), Rússia (5%), Brasil (4%), Indonésia (4%), Japão (3,5%), México (2,5%), Canadá (2%), África do Sul (1,5%),  Coréia do Sul (1,5%) e Arábia Saudita (1,5%).  Delas apenas Brasil, Japão e Coréia do Sul tem políticas nacionais em correspondência parcial com as necessidades de descarbonização global. As grandes e médias potências conservadoras têm hoje uma clara superioridade na arena internacional e, por isso, é muito pouco provável um acordo global efetivo no curto prazo. Apenas duas (Índia e Indonésia) das 13 potências são pobres.

Para a transição consistente e rápida para uma economia internacional de baixo carbono seria necessário um grande acordo internacional (em uma escala e intensidade muito superior à do Protocolo de Kyoto) que deveria ser apoiado por uma série de mudanças comportamentais, bem como por desenvolvimentos tecnológicos e econômicos simultâneos e complementares:

1. Acelerar o ritmo de crescimento da eficiência energética e aumentar a reciclagem em todos os níveis da cadeia produtiva e no consumo;

2. Aumentar a proporção das energias não-fósseis renováveis (eólica, solar, biocombustíveis, hidrelétrica e geotérmica) na matriz energética mundial;

3. Aumentar a proporção de energia nuclear de tecnologia avançada na matriz energética. Isso é fundamental para acelerar a descarbonização nos EUA, China, Índia e Rússia;

4. Desenvolver arquiteturas reguladoras que promovam o uso de carros híbridos (elétrico e etanol);

5. Diminuir drasticamente o desmatamento, reflorestar áreas desmatadas e tornar florestadas áreas que nunca tiveram florestas;

6. Incrementar a utilização de técnicas agropecuárias que são virtuosas no ciclo do carbono;

7. Usar eficientemente a água no consumo doméstico, agrícola e industrial e expandir o saneamento básico em todo planeta;

8. Promover uma rápida estabilização da população do planeta;

9. Acelerar o desenvolvimento das tecnologias de captura e seqüestro de carbono fóssil;

10. Desenvolver aviões com materiais mais leves, desenho mais aerodinâmico e maior eficiência energética;

11. Acelerar o desenvolvimento da célula de hidrogênio;

12. Estabelecer acordos internacionais que promovam pesquisas integradas interinstitucionais para o desenvolvimento de novas tecnologias de ponta para descarbonizar a matriz energética;

13. Promover o desenvolvimento de pesquisas de geoengenharia climática com o objetivo de ter um Plano B alternativo no caso de uma aceleração exponencial do aquecimento global.

 

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