Transigir com o fanatismo é suicídio

Israel não está diante de um inimigo que pretenda persuadi-lo de alguma coisa ou que esteja atrás de qualquer barganha.  Seus objetivos não são econômicos ou políticos.  O propósito dos jihadistas do Hamas é meramente destrutivo.  Estão envolvidos numa “Guerra Santa”, justificada unicamente pelo ódio contra os chamados “infiéis”.  Sua primeira missão é a completa extinção do Estado de Israel.  Do alto de um inabalável sectarismo, enxergam o povo judeu como a personificação do mal em sentido absoluto.

O terrorismo, ao contrário do que muitos pensam, não é a arma dos oprimidos, mas dos intolerantes.  Por isso, é algo que deveríamos – ao menos todos aqueles para quem a liberdade é um valor sagrado – combater com determinação, pois transigir com a intolerância e com o fanatismo é suicídio.

O inimigo não é o povo palestino ou o mundo islâmico, mas o voluntarismo ideológico e religioso de jovens fanáticos, muito bem doutrinados e treinados por uma súcia de mentes assassinas.  Essa geração de voluntários tem que ser combatida com firmeza, a fim de impedir o surgimento de uma seguinte e de mais outras, as quais, possivelmente, virão munidas de armas biológicas, químicas e posteriormente até atômicas.

É ingênuo pensar que para eliminar a violência basta não fazê-la ou, no máximo, pedir para que não seja feita.  Acreditar que bastam boas intenções e apelos emocionais para extirpá-la das relações humanas.  A paz deve ser perseguida com energia e, infelizmente, às vezes a violência precisa ser combatida com armas e não apenas com palavras.

Equivocam-se os que acham ser possível evitar o combate ao terrorismo, bem como os que ainda teimam que esta missão seja só de Israel ou dos Estados Unidos.  Esta é uma batalha necessária, árdua e prolongada que, repito, deveria ser todas as nações que ainda preservam a liberdade como um ideal supremo.

Desgraçadamente,  porém, não é isso que estamos vendo, muito pelo contrário.  Temos testemunhado o mesmo festival de pusilanimidade e cegueira ideológica que contaminou as lideranças européias durante a década de 1930, enquanto os exércitos de Hitler se armavam e fortaleciam.

Em 2005, num gesto unilateral pela paz, Israel removeu os assentamentos judeus na Faixa de Gaza, utilizando até mesmo a força militar contra seus concidadãos, que não concordavam com a iniciativa do governo e insistiam em ficar em suas casas.  E o que recebeu de volta?  A eleição formal de um partido comprometido com a extição do “Estado Sionista” e uma chuva diária de foguetes, convenientemente ignorada pela dita Comunidade Internacional.

No entanto, por razões que a própria razão desconhece, bastou que as forças israelenses reagissem, numa ação legítima em defesa de sua população, para que a diplomacia internacional – que não por acaso assiste leniente ao genocídio étnico no “desimportante” Sudão – desse início a um verdadeiro festival de hipocrisia, proselitismo ideológico, anti-americanismo e anti-semitismo.

Além de demagógicos pedidos de cessar fogo, de intensa gritaria pela necessidade de diálogo (como se o fanatismo fosse sensível a argumentos) e de abjetas acusações de “reação desproporcional”, tenta-se a todo custo transformar vítimas em algozes, legitimando-se, de forma indireta, a nojenta estratégia terrorista de usar mulheres e crianças como escudos humanos.

Suponhamos agora, para efeito de argumentação, que Israel cedesse e concordasse com o cessar-fogo ora proposto por diversas entidades multilaterais, a exemplo do que já ocorrera na ofensiva contra o Hezbollah, no Líbano, há dois anos.  O que ganharia em troca?  Será que desta vez as Nações Unidas sequer tentariam deter o suprimento de armas pesadas para as milícias do Hamas?  Que garantias se dariam ao povo israelense de que não será mais alvo dos foguetes provenientes de Gaza, ou de que eles não virão, num futuro próximo, carregados com ogivas químicas e biológicas?

Nenhuma, claro, pois único direito de Israel, na visão dessa gente, é suportar as agressões mansamente – em nome da grandeza e da pureza da paz, evidentemente.  O fato de que se trata de uma nação livre e democrática, sob ataque permanente de grupos comprovadamente apoiados e financiados pelo dinheiro de Estados totalitários, governados por déspotas sem qualquer compromisso com a paz ou o Estado de Direito, pouco lhes importa.  Não aprenderam com Hitler e os milhões de mortos da 2ª Guerra Mundial e, portanto, dificilmente aprenderão um dia.

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4 comments

  1. O sujeito da esquina

    Belo texto.
    O triste mesmo da história é que mesmo o povo palestino e o palestino não sendo o inimigo são esses que levam bombas na cabeça.

    A impressão é que esses dois povos são inimigos de seus respectivos governantes.

  2. O sujeito da esquina

    Errata: mesmo o povo palestino e o ISRAELENSE não sendo o inimigo

  3. Alguem sabe da verdade

    Quem é esse João Luiz Mauad???
    Pelo que vejo é um judeu que como todos nega a História e o pior”nega a verdade”
    Vocês são fanaticos,seguidores então da crença de que deus deu a voces essa terra, mas esquecem algo muito importante de suas próprias mentiras,quando fugiram do Egito muitos anos antes de Jesus nascer,então chegaram as terras de quem??? quem os abrigou e lhes ajudou???
    Depois,muitos anos depois jesus nasceu, e seus instintos assassinos o deram aos romanos como um animal e se divertiram enquanto este sofria até a morte,mas esta parte vcs conhecem bem, enfim os romanos lhes expulsaram das terras Dos Felisteus [hoje chamados palestinos]Mas porque sera que la só deixaram ficar os palestinos??? Sinal de que lá não era seu lar…
    Vocês fugiram pros EUA…EU…Etc…AI Ritler surgiu… fez oque fez e os judeus fugiram para a terra dos palestinos, la foram recebidos e acolhidos pelo povo palestino, mas na época os Ingleses ocupavam aquele territorio e um dia teriam que sais,pois lá é dos palestinos e o mundo todo sabe desta real e verdadeira história,pena que são covardes e omissos…
    Mas antes de entregar resolveram repartir e dar aos judeos,criou-se o estado de Israel sobre os territórios palestinos, e o pior é que deram aos judeos as melhores partes….Então pergunto ao João L. E hoje no Iraque,se a ONU resolver repartir o Iraque e dar digamos aos Kurdos separatistas quase que tudo, lhes armar como lhes armaram durante toda formação, é correto??? Os palestinos tem o direito de se defenderem e de expulsar os Israelenses que roubam suas terras dia e noite usando armas modernas, Os palestinos não são terroristas,jamais sairam se sau terra para atacar outros,se vc pesquisar a longa História sabera das mentiras que o ocidente criou,com um só propósito.”estender seu império no oriente”criando la e protegendo o estado mais assassino do planeta,qual se julga povo de deus,mas não seria nada sem as armas do ocidente, qual interfere em todos os paises de região com seus assassinos da mussad.
    Quem deu o direito de Israel ter Misseis Nucleares? E quem dá o direito de Israel se julgar o dono de todo o oriente não permitindo que estes obtenham tecnologia nuclear?
    Israel tem por 60 longos anos de roubos,saques,massacres,e terrorismos em muitos paises com ajuda dosEUAe aliados,para o oriente todo é vergonhoso.
    E o pior e ler textos de judeus como este qual respondo,deveria procurar mais informações sobre quem é terrorista,se caso alguns paises como o Irã,Siria,não lhes dessem armas, acredite, Israel já teria matado todos e escondido do mundo inteiro,eles devem ter armas mais poderosas,tem o direito de se defender e parar com os colonias.
    Agora lhe pergunto: Israel alega descaradamente que segue o crescimento natural de seu povo,para isso expulsa palestinos de suas casas e terras,toma cidades inteiras como Jerusalém oriental. Vc acha isso correto??? E se todos os paises fortes assumirem este exemplo,ultrapassando fronteiras e expulsando os cidadões,esses seriam em sua visão e comentarios terroristas se usassem armas para se defenderem??
    Recentemente a Russia foi duramente criticada por entrar em território Georgiano,para reprimir uma invasão em cidades de totalidade Russa,Isto o mundo viu,Por que não ve a realidade do povo palestino. Espero profundamente que os paises em volta os ajude,e torço para que israel ataque o Irã, só assim para esses judeos desaparecerem para sempre das terras dos palestinos.Vcs não são os coitadinhos da história,as coisas vão mudar.Os palestinos ainda vencerão.pois estão com a razão e sempre lutaram por esta, Veja a história antes de opinar com bobagens,lenbrece, se tivesse nascido na palestina saberia como é ver seu pais ser saqueado,seu povo sendo morto expulso de suas casas e se pensace em arrumar uma arma para contraatacar,então o mundo o chamaria de terrorista.é justo???

  4. João de Faria

    Engraçado é que, quando os palestinos agem, é porque são “terroristas intolerantes”, mas quando Israel age, é em “legítima defesa de sua população”.

    Essa história de se invocar um (triste) evento ocorrido há mais de 60 anos para justificar a política israelense de hoje é ridiculo (sinto pelo termo). A criação do Estado de Israel foi sem dúvida um avanço, mas é inegável que veio às custas de um povo inocente e que habitava a região há muito mais tempo.

    E que justificativa moral existe para Israel seguir mantendo assentamentos muito além das fronteiras definidas pela ONU?

    São declarações inconsequentes como essa do Sr. Mauad, de que “às vezes a violência precisa ser combatida com armas”, que têm causado tanto mal para os povos da região. São elas que explicam o orçamento militar desproporcional que tem Israel. Mas os indivíduos que as repetem se esquecem da experiência de impérios que foram derrubados apenas pela força das ideias e das palavras e das atitudes verdadeiramente pacifistas. E se esquecem que, para os órfãos e reféns da guerra no Líbano e na Cisjordânia, não importa se a destruição de suas casas e cidades foi feita em nome da guerra santa ou da liberdade ou da democracia.

    E quando tudo falha, a força deve vir apenas como último recurso e se aprovada pela comunidade internacional. Dois critérios que as atitudes de Israel não satisfazem.

    Meu consolo é que cada vez mais Israel e seus defensores (como o Sr. Mauad) entram para a história como perturbadores da paz que são, e cada vez mais do lado oposto de figuras como o Mahatma Gandhi, Nelson Mandela e tantos outros indivíduos que realmente valorizaram a paz.

    Aliás, muitíssimo mais poderosa para explicar a situação no Oriente Médio que esse artigo é uma frase do Mahatma:

    “Eu me oponho à violência porque quando ela aparenta fazer o bem, o bem é apenas temporário; mas o mal que ela faz é permanente”