Um país congestionado emperra os negócios

É fácil conduzir negócios no Brasil, em comparação com outros países? Os índices internacionais de competitividade nos colocam em 129º lugar, entre 181 economias, em se tratando de facilitar a livre-iniciativa. Mas, quando a pergunta se restringe ao comércio internacional, a resposta surpreende para melhor. É fácil exportar e importar no Brasil? O índice de desempenho em transporte e armazenagem para comércio internacional nos coloca num menos ruim 41º lugar, entre 155 países.

A revelação aqueceu os debates entre especialistas e executivos no XVI Fórum Internacional de Logística Expo-Logística 2010 , promovido pelo Instituto Ilos, o centro brasileiro de excelência na matéria, dirigido pelo professor Paulo Fleury.

Um catedrático finlandês no assunto, professor Lauri Ojala, desembrulhou a surpresa do bom desempenho brasileiro examinando seis dimensões críticas para avaliar a qualidade do trânsito de bens no comércio internacional: a pontualidade nos embarques, a infraestrutura de transportes e telecomunicações, a capacidade de rastrear cargas, a eficiência no desembaraço alfandegário, a qualidade da mão de obra responsável por esse trânsito e a disponibilidade de embarques acessíveis a preços razoáveis.

Os números examinados revelam extraordinários avanços em nosso desempenho, como a pontualidade, o rastreamento e as capacitações. Revelam também a importância dos investimentos na infraestrutura de telecomunicações, que aumentam a eficiência e derrubam o custo das operações. O estudo revela que nossos pontos fracos persistem nas áreas que dependem do governo, desde a ineficiência das operações aduaneiras até a regulamentação inadequada e a insuficiência de investimento público em infraestrutura de transporte.

O desafio do crescimento econômico exigirá uma onda de investimentos nesses quesitos, mas não apenas na infraestrutura tangível, como portos, ferrovias, estradas, hidrovias ou aeroportos. Há também a dimensão do conhecimento, da tecnologia, dos provedores de serviços especializados, que formam uma plataforma intangível de infraestrutura logística.

O Brasil ainda oferece vários obstáculos à livre-iniciativa, mas melhorou no que diz respeito à logística

Essa onda de investimentos requer, por sua vez, uma onda de financiamentos. A enorme turbulência em torno do marco regulatório do pré-sal, a subsequente destruição do valor da Petrobras e, agora, as colossais necessidades de financiar a companhia são exemplo das dificuldades à frente. Tanto quanto os desafios logísticos das operações offshore, são também formidáveis suas exigências de financiamento. O plano de negócios da empresa prevê US$ 224 bilhões em investimento no período 2010-2014.

Além dos tradicionais painéis sobre os processos de transporte e armazenagem, as cadeias de suprimentos setoriais e as melhores práticas operacionais, o Fórum Internacional de Logística trouxe neste ano duas inovações temáticas. A primeira foi o Fórum Global de Sustentabilidade das Cadeias de Suprimento, uma iniciativa do Ilos em associação com o Conselho de Profissionais de Administração de Cadeias de Suprimentos (CSCMP, na sigla em inglês) e a Associação Alemã de Logística (BVL), para compartilhar experiências, conhecimento e melhores práticas entre empresas, governos e academia, em diversos países.

A segunda inovação foi o Fórum Brasileiro de Infraestrutura, com ênfase no ambiente de regulamentação, nas modalidades de financiamento e nas oportunidades de investimento em projetos de infraestrutura logística no país.

Os investimentos nessa infraestrutura aceleram a produção e a criação de empregos, elevam a produtividade e os salários. Eles aumentam a eficiência da economia, da administração de cada empresa à cadeia de suprimentos de cada setor. Permitem integrações setoriais mais eficientes, derrubam o custo Brasil e aumentam nossa competitividade. A infraestrutura logística é crítica para a construção de nosso futuro.

Fonte: Revista “Época” – 20/09/10

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