Uma agenda de propostas para o Brasil, segundo Rodrigo Constantino

O debate político brasileiro anda muito empobrecido, especialmente por conta dessa hegemonia da esquerda que monopoliza as virtudes e rotula os oponentes, em vez de focar nos argumentos. É “direita hidrófoba” pra cá, “rotweiller” pra lá, e nada de rebaterem os pontos abordados pelos liberais e conservadores.

Na tentativa de superar essa barreira ideológica, gostaria de apresentar uma agenda de propostas que, creio, seriam fundamentais para colocar o Brasil na rota do crescimento acelerado e sustentável, ao contrário desses voos de galinha medíocres que vemos hoje. Não importa a cor do gato, desde que ele pegue o rato. Vejamos:

Programas de ajuda aos mais pobres podem existir, desde que de forma descentralizada e sem se configurar compra de voto. Ou seja, devem ser estaduais, não federais

1- Reforma tributária: ninguém aguenta mais tantos impostos e, principalmente, tamanha complexidade de tributos. Leva-se 2.600 horas para pagar impostos por aqui, e trabalhamos até maio só para bancar o estado. É preciso simplificar e reduzir a carga tributária, urgentemente. Para tanto, é necessário cortar gastos públicos;

2- Reforma previdenciária: nosso modelo atual é uma bomba-relógio, e não há elo algum entre o que foi poupado e o que é recebido de aposentadoria, especialmente no setor público. Precisamos de contas individuais em um modelo de capitalização, de preferência privado, como é no Chile. Os brasileiros precisam ser sócios do capitalismo;

3- Reforma trabalhista: nossas leis trabalhistas são anacrônicas, ultrapassadas e inspiradas no fascismo. É hora de flexibilizá-las, de dar mais autonomia para os acordos individuais entre trabalhadores e patrões, enfrentando as máfias sindicais com coragem e tornando a adesão aos sindicatos voluntária, sem o imposto indecente que pagamos;

4- Privatizações: é preciso retomar o projeto de privatizações, que foi tão importante para nossa economia. O atual governo criou mais estatais, e as privatizações que fez foram malfeitas. É preciso pulverizar o capital da Petrobras, do Banco do Brasil, dos Correios, da Eletrobrás e da Caixa entre o povo brasileiro. Afinal, o petróleo é nosso ou não é?

5- Reforma educacional: o modelo atual custa caro e não educa quase ninguém. Precisamos de vales-educação que garantam a liberdade de escolha dos mais humildes, que passariam a colocar seus filhos em escolas particulares. A meritocracia precisa ser adotada também. Os melhores professores devem receber mais, e os melhores alunos devem se destacar, sem o fardo dessa mentalidade igualitária dos fracassados, que querem nivelar tudo por baixo. É hora de acabar com as cotas raciais também, pois a segregação apenas fomenta o racismo;

6- Segurança: não dá mais para o país ser refém dessa visão ideológica que trata bandidos como se fossem vítimas da “sociedade”. Há que se cobrar responsabilidade individual pelos atos de cada um, e punir com severidade aqueles que desrespeitam as leis. A impunidade é o maior convite ao crime. Bandidos mascarados que fingem ser jovens idealistas também precisam ser enfrentados com todo o rigor da lei, não importa o quanto recebam de apoio dos artistas e intelectuais da esquerda caviar;

7- Reforma política: nosso federalismo existe apenas no nome, e o governo central concentra poder demais. É preciso devolver o poder para mais perto dos cidadãos, retirando-o de Brasília. O voto deve ser distrital e facultativo. Deve-se acabar com o financiamento público de campanha que existe por meio de “horário gratuito” e “fundo partidário”. Somente indivíduos devem financiar partidos. Empresas não votam;

8- Paternalismo: o Estado não é papai de ninguém, e o povo não é súdito. É necessário acabar com essa tutela paternalista do Estado, e delegar mais liberdade, cobrando responsabilidade. Não cabe ao governo nos proteger de nós mesmos, mas sim de terceiros;

9- Assistencialismo: programas de ajuda aos mais pobres podem existir, desde que de forma descentralizada e sem se configurar compra de voto. Ou seja, devem ser estaduais, não federais, e programas de Estado, não de governo. Deve ter uma clara porta de saída. É absurdo celebrar um programa que, a cada ano, incorpora mais dependentes das esmolas estatais;

10- Política externa: o Mercosul virou uma camisa de força ideológica, atrasando nossa abertura comercial. É preciso fechar vários acordos bilaterais, reduzir as barreiras protecionistas e mergulhar, de vez, na globalização, abandonando esse infantil ranço antiamericano.

Essa agenda faria a economia brasileira deslanchar, não tenho dúvidas. O problema é que nenhum partido chega perto de defendê-la. Todos pregam ainda mais Estado. E ainda tem gente que coloca a culpa da miséria do debate na direita!

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7 comments

  1. Jonatan Dutra

    Parabéns pela agenda Rodrigo. Compartilho muito das suas idéias. Fiquei com uma dúvida. As 10 propostas estão em ordem de prioridade? Qual seria melhor nós atacarmos primeiro? Ou precisamos atacar as 10 de uma só vez? Fiquei pensando na prioridades da Educação (que também poderia envolver privatizações conforme citado no seu livro “Privatize Já”). Talvez não consigamos iniciar nada sem uma Reforma Política ou Reforma Tributária. Por isso fiquei realmente intrigado em “Por onde começar”. Abraços.

  2. wolmar

    Já pensou se esse dacálogo fosse um programa partidério?

  3. Eloy

    O triste é ver que nenhum ponto dessa agenda passe pela cabeça dos eleitores e seus políticos.
    Precisaremos ir até o fundo do poço e de lá olhar para os países que colocaram em prática esses 10 pontos e como estão bem e talvez tomarmos uma atitude como nação com desejo de prosperidade.
    Mas será que teremos de descer ao ponto da Venezuela?

  4. Gilberto Naldi

    Soltar as amarras! Içar as velas e largar lastros!
    O Brasil precisa desvencilhar-se do passado e dos erros!
    Precisamos fazer luz sobre nossos problemas.
    Compartilho totalmente
    ,

  5. Branda

    Assino embaixo.O PSDB deveria assumir estas propostas ou vai desaparecer, como o DEM. Tá na hora de mudar, com coragem e pelo bem do Brasil!

  6. Eduardo

    Todas as suas propostas dependem, em maior ou menor grau, do abandono da atual constituição “cidadã” e edição de uma nova, liberal.
    Uma que não diga, por exemplo, que “a propriedade atenderá a sua função social”, que “A saúde é direito de todos e dever do Estado…”, que “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família…”, que ” A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta…”, etc. etc. etc. e etc.