Uma resposta liberal à extrema direita europeia

Estava na Romênia, exatamente em um evento sobre migração, quando soube do ataque aos jovens líderes que se reuniam em um acampamento de verão na Noruega. Tinha ao meu lado outros ativista, de 18 à 31 anos, dos mais diversos países. Entre eles, quatro da juventude liberal norueguesa.

O choque foi geral e construiu uma seqüência de sentimentos e dúvidas entre todos nós.

O medo foi o primeiro deles. Estaríamos entrando em uma nova onda global de ataques terroristas? Um novo 11 de setembro onde o alvo passara a ser a militância jovem? Qual seria o próximo incidente?

Depois a dúvida. Teriam eles feito algo para merecer um castigo tão terrível? Seria uma conseqüência da guerra na Líbia? Ou um ataque da oposição radical àqueles que mais tinham para acrescentar para o futuro do país?

A compaixão: será que tínhamos amigos entre as vítimas? Eram jovens e crianças… Como estariam se sentido pais e familiares? Como seria viver um futuro sem estes que, além de líderes proeminentes, eram também os amados filhos, primos e sobrinhos?

E a necessidade de reação. Deveríamos programar um contra-ataque igualmente violento? Uma nova guerra contra o terror e os radicais? Novas políticas públicas de segurança ou, quem sabe, uma reforma no sistema democrático?

Perdidos, em um país diferente e atualizando nossos twitters a cada segundo, descobrimos aos poucos que o inexplicável ataque havia sido feito por um norueguês revoltado com a política migratória local. Um anti-islâmico que havia preparado um manifesto de 1500 páginas e pretendia aumentar o protecionismo nórdico para impedir o livre trânsito daqueles que considerava “diferentes” e “inferiores”.

Para tal, assassinou por exemplo Tore Eikeland, um líder promissor de 21 anos ao qual partidários e veículos de comunicação apontavam como possível primeiro ministro no futuro por sua habilidade em agregar liberais e socialistas nos mais complexos debates realizados pelas camadas juvenis. O “crime” de Tore parecia ser lutar pelo que acreditava: democracia, consenso e respeito ao próximo.

Felizmente, tivemos ao final de nosso evento um sentimento de conforto: o primeiro ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, afirmou com todas as letras que a “resposta ao ataque do radical solitário que lutava contra a política de imigração seria mais abertura e mais democracia”.

Nos, membros da Federação Internacional de Juventudes Liberais e participantes do seminário “Enriquecendo Sociedades” realizado na última semana em Timisoara (Romênia), expressamos nosso luto pelos amigos e familiares e a certeza de que nosso futuro será ditado pelas palavras de Stoltenberg: continuaremos lutando por um mundo tolerante, integrado e liberal.

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