É urgente a volta dos leilões

A atividade petrolífera se tornou economicamente relevante no Brasil. Da abertura do setor em 1997 para cá, a participação da indústria do petróleo no PIB brasileiro mais que dobrou, passando de 4,9% para 10,5%.

A perspectiva é que o setor responda por 20% do PIB em 2020. A execução de leilões é de vital importância para que o setor de petróleo continue aumentando a sua importância na economia brasileira. A paralisação dos leilões desde 2008 prejudica o dinamismo da indústria petrolífera nacional, tirando a segurança dos players envolvidos na cadeia petrolífera.

A ausência de leilões tem estimulado a realização de operações de farm-in. Já que a única forma de acesso que restou para as empresas entrarem no mercado brasileiro foi a aquisição de direitos de algum concessionário.

Como exemplos recentes de farm-in no Brasil, podemos citar, em 2010, a venda de uma participação no campo Peregrino pela norueguesa Statoil para a chinesa Sinochem, a venda de 40% da Repsol Brasil, por US$7 bilhões para a Sinopec e a venda de 30% da Galp portuguesa, também, para a chinesa Sinopec por US$ 3,5 bilhões.

A única forma de acesso que restou para as empresas entrarem no mercado brasileiro foi a aquisição de direitos de algum concessionário

A ausência de leilões também tem levado as empresas a adquirirem áreas em outros países. No final de janeiro foi concluída a primeira licitação de participação em blocos offshore no pré-sal de Angola, entre as vencedoras estão a BP, Repsol, Statoil, Total, Eni, ConocoPhilips.

Na semana passada o governo americano voltou a realizar leilões de blocos de petróleo no Golfo Americano. Ao todo, 56 petroleiras deram 593 lances por 7.434 blocos ofertados pelo Escritório de Gerenciamento de Energia Oceânica (Boem, na sigla em inglês) do governo dos Estados Unidos. Do total de blocos, 454 receberam pelo menos um dos lances dados.

Shell, Statoil, BP e Chevron desembolsaram os maiores valores. Somadas, as quatro empresas foram responsáveis por lances que totalizaram mais de US$ 1,1 bilhão, quase 65% do valor total arrecadado, de US$ 1,7 bilhão. O Central Sale 216/222 foi o primeiro leilão realizado na região desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon em abril de 2010.

Das quatro empresas que mais investiram no leilão, a Shell Offshore desembolsou US$ 406,6 milhões por 24 concessões. A BP arrematou 43 concessões por US$ 239,5 milhões e a Chevron pagou US$ 189,6 milhões por suas 29.

A Statoil, que conseguiu arrematar 26 concessões, foi responsável pelo maior lance do dia, oferecendo pouco mais de US$ 157 milhões pelo bloco NH16-10, localizado no Mississippi Canyon. Com essas novas aquisições, a gigante norueguesa de exploração offshore passa a controlar mais de 350 concessões no Golfo do México.

É importante ressaltar que as atenções da indústria do petróleo não estão mais exclusivamente voltadas para o Brasil, como ocorria no momento do anúncio do pré-sal.

Hoje, existem alternativas de investimento em petróleo e gás no mundo, tanto em reservas convencionais, quanto na extração do chamado gás e petróleo não convencional. Por que não realizar leilões no Brasil o quanto antes? Com a palavra o governo brasileiro.

Fonte: O Globo, 28/06/2012

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