Ver, enxergar e visionar

João Antonio Wiegerinck

Existe uma diferença intrínseca entre ver e visionar. Quem não porta necessidades especiais em termos de visão acredita que tudo vê. E, de certa forma, o que está no campo imediato de visão é percebido.

Claro está que nem tudo que se enxerga é real, ou pode resumir a realidade. Mesmo objetos inanimados possuem uma história não compreendida pela percepção do observador instantâneo.

Logo, se existe – e existe – uma diferença entre ver e enxergar, imagine entre ver, enxergar e visionar! São três aspectos absolutamente distintos, sendo que, quando encontrados na mesma pessoa, configuram a genialidade.

Quem vê nem sempre enxerga. Quem enxerga sempre vê. Mas quem vê e enxerga nem sempre e raramente visiona.
Essa relação física, biológica e filosófica existe independente de correntes acadêmicas ou credos. É possível ver e não perceber o que se pode enxergar. É possível ver e enxergar, sem contudo visionar algo.

Se tal processo cognitivo se dá com toda e qualquer experiência que o ser humano tem durante sua existência é de se ponderar o quanto tal premissa tenha validade quando o assunto é Política, Cidadania, democracia, Poder Estatal e Econômico, determinação de destinos e sustentabilidade moral.

Quem vê, vê algo. Quem enxerga vê o algo e entende como se deu no mundo real. Logo, sabe o do que se trata e como ocorreu. Mas, quem visiona, sabe do que se trata, como ocorreu e, diferente dos demais, porque ocorreu. Isso muda tudo, porque quem visiona pode mudar o que está errado e melhorar a experiência da vida para si e para os demais.

Visionário é aquele sujeito cada vez mais raro por acreditar no futuro da humanidade e corajoso o suficiente para expor suas ideias e convocar quem estiver disposto a somar e depois dividir

Visionário não é o aventureiro egoísta propagado por obras dedicadas a estereótipos sem noção da realidade. Isso é fantasia, nada mais. Visionário é aquele sujeito cada vez mais raro por acreditar no futuro da humanidade e corajoso o suficiente para expor suas ideias e convocar quem estiver disposto a somar e depois dividir.

Quando um governo passa a atacar seus visionários e, além disso, investe na deseducação de seu povo para garantir que existam cada vez menos visionários e cada vez mais indivíduos que apenas vejam, sem nada enxergar sequer, é um sinal alarmante de que a opressão e o pior da história humana estão presentes e atuantes.

Na medida em que a sociedade é formada por pessoas que apenas percebem o imediato, o Estado opressor garante sua dominância pela dependência assistencialista. Aos que percebem algo mais sobre o imediato e se perguntam como ele ocorre, sobram as mentiras traduzidas em afirmações como “eu não sabia de nada”, “isso não existe!” apesar das provas empilhadas e evidências escancaradas na mídia.

A escalada da era da informação contribui para tal quadro. Muitas fontes, muitos dados e pouca veracidade. Como a cultura educacional no Brasil desde 2002 é a do menor esforço, pois que todos são aprovados compulsoriamente, é inimaginável conceber que existe investimento nos possíveis visionários brasileiros – logo eles que são fundamentais para a prosperidade e evolução da família, da empresa, da comunidade, do Estado, da Humanidade em si.

Não cabe desanimar. Cabe ser visionário a respeito de si e daqueles que estejam ao alcance da instrução. Cabe reanimar os ensinamentos e pilares vitais à Sociedade Próspera e complementar a educação oferecida com desafios que possam incentivar e trazer à tona os tantos visionários existentes no seio da Nação Brasileira.

Menos queixas e mais lições, mais propostas, mais elementos que provoquem nossos visionários. Sem visionários estamos condenados à mediocridade e à submissão. É o futuro do seu neto, no mínimo. Mexa-se.

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