XXI Fórum Nacional

Começa hoje à tarde, no BNDES, a XXI edição anual do Fórum Nacional criado pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso.

O que poucos sabem ou poderiam imaginar é que um liberal participou com orgulho da criação desse espaço de pensamento em torno de uma figura notável que promoveu a estatização da economia durante o regime militar.

A ideia de buscar financiamento para um empreendimento em torno de Reis Velloso tinha para mim duas dimensões. Uma intelectual, que era sua raríssima capacidade de ser um interlocutor confiável de todas as correntes de pensamento econômico à época, das mais conservadoras às mais exóticas. Era afinal tempo de redemocratização, e os tecnocratas precisavam se entender para o bem do país. Os políticos poderiam frequentar esse espaço, criado exatamente para promover o aperfeiçoamento institucional e a melhor qualidade das políticas públicas.

Peter Knight, visionário brasilianista do Banco Mundial e meu frequente interlocutor à frente das missões do banco ao Brasil em meados dos anos 80, entusiasmou-se com a missão de financiar o projeto de um fórum de desenvolvimento a ser concebido por seu arquiteto predileto, o ex-ministro Reis Velloso.

A segunda dimensão era de caráter pessoal, de apreço pelo indivíduo. Por seu respeito à diversidade das visões de mundo, por seu espírito democrático.

Sua honestidade e tolerância, mesmo em tempos do regime politicamente fechado, contrastam com a corrupção a céu aberto e o dogmatismo obsoleto que ainda resistem em bolsões do Brasil contemporâneo.

O ano é 1987, ano anterior ao da criação do Fórum.

A Nova República arde nas chamas do caos inflacionário. O ministro da Fazenda liga para Reis Velloso e demonstra seu desagrado com minhas críticas a um plano de estabilização tão popular quanto mal concebido. Em plena redemocratização, alguns assessores, figuras humanas menores que se tornaram depois conhecidas eminências, de intelecto perverso e alma pequena, acionaram os longos braços do aparelho estatal para asfixiar a frágil instituição de pesquisa presidida por Reis Velloso. Tem início o corte das contribuições de órgãos oficiais, que constituíam mais de 90% do orçamento do pequeno instituto de pesquisa.

O ex-ministro me chama com ar grave. Sempre tolerante com minhas críticas contumazes à ordem econômica intervencionista do regime militar, em nenhum momento reclama de minhas críticas à tentativa de estabilização heterodoxa. Recusa a saída fácil, que era simplesmente minha demissão. Pergunta-me apenas: “Como faremos sobreviver a instituição?” Encontramos a resposta juntos, com nossa equipe: surge uma inovadora instituição de ensino, pioneira na elaboração e difusão de programas executivos especializados por todo o país e cursos de graduação também com foco em empregabilidade nas principais capitais do país. Meus respeitos e vida longa ao “Fórum do Velloso”.

(O Globo – 18/05/2009)

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