Sábado, 10 de dezembro de 2016
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Só 10% no ensino médio público atingem nível satisfatório no Brasil

Entre os alunos matriculados no último ano do ensino médio em escolas estaduais brasileiras, somente 10% atingem níveis satisfatórios ao concluir a etapa. Trata-se de uma das principais conclusões de um estudo elaborado pelo Instituto Alfa e Beto, organização não governamental da área educacional, com sede em Brasília.

Os números, segundo a pesquisa, indicam um baixo índice de estudantes com habilidades mínimas e provoca uma reflexão sobre a qualidade da formação dos jovens na rede pública. Para elaborar o documento, foram analisados dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, com base no relatório “Enem por Escola”, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Os resultados dos alunos foram divididos em 5 níveis de desempenho – o 1 é o mais baixo e o 5, o mais elevado. Considerando o nível 3 como o “mínimo adequado para concluir o ensino médio” (pelo menos 600 pontos na redação e 550 nas demais provas), aproximadamente 80% dos alunos avaliados das redes estaduais não estariam aptos a terminar o ensino médio, pois obtiveram nota inferior. Ao contar apenas os estudantes matriculados no terceiro ano dos colégios estaduais, essa margem aumenta para 90%.

“Nossos alunos não estão aprendendo o que é proposto pelo currículo do ensino médio. Temos de melhorar a forma com que estamos ensinando ou temos de mudar o currículo? Eu diria que as duas coisas”, diz o presidente do IDados (divisão do Instituto que guiou o estudo), Paulo Rocha e Oliveira. É possível, ainda, estabelecer uma comparação entre alunos de escolas estaduais e privadas. Cerca de metade das instituições privadas tem média acima do ponto de corte do nível 3 – enquanto no universo da rede estadual, menos de 2% das escolas conseguem superar essa média. Só 4 escolas estaduais atingiram média superior a 700 pontos, índice alcançado por 549 colégios particulares.

A pesquisa ainda aponta que não existe correlação significativa entre os gastos de cada Estado por aluno e a performance no Enem. O Amapá, por exemplo, é a quarta unidade de federação que mais investe (R$ 6.375,53 por aluno) e amarga a 27ª posição no ranking de desempenho das escolas estaduais nas provas objetivas. Já Santa Catarina, um dos Estados que menos gastam (R$ 4.669,13), está em 6º lugar.

Crítica
Oliveira critica, ainda, o fato de o Enem ser usado, majoritariamente, para o acesso às universidades. “A amostra exclui a maioria dos alunos mais fracos”, julga o presidente. Isso porque, de acordo com as informações colhidas pelos pesquisadores, 983 mil estudantes matriculados no terceiro ano não fizeram a prova – 88% deles eram da rede pública. Os alunos do ensino público que participaram representaram apenas 24% do total – a maioria desses candidatos já havia concluído o ensino médio em anos anteriores (52%) e uma fatia expressiva (24%) prestou o exame como “treineiro”.

Procurado, o Inep não se manifestou sobre as conclusões do estudo até as 19 horas de ontem. No site em que o relatório “Enem por Escola” está publicado, o órgão, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), diz que “quando disponibilizados por escola, os resultados agregados das proficiências médias possibilitam a análise pela comunidade escolar e pelas famílias, para que se percebam os avanços e desafios a serem enfrentados”. O Inep alerta, porém, que deve se ter “cautela”, pois a participação dos estudantes é voluntária. “Por esta razão, a representatividade dos resultados varia de acordo com o porcentual de participação de estudantes em cada escola.”

Fonte: Época Negócios.

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