Só 25% dos trabalhadores do mundo têm emprego estável

Pesquisa indica que taxa mundial de desemprego é de 5,9%, ou cerca de 201 milhões de pessoas

O emprego assalariado representa somente metade do emprego mundial — e a outra parte sobrevive graças ao trabalho autônomo e atividades econômicas familiares. E outro dado alarmante: apenas um quarto dos trabalhadores do planeta tem uma relação laboral estável, com turnos integrais e contratos permanentes. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) no relatório “Perspectivas Sociais e do Emprego no Mundo 2015”, que abrange 180 países (cerca de 84% da força de trabalho global).

Os dados complicados indicam, ainda, que a insegurança no mercado de trabalho aumentou — tanto nas economias avançadas como nas emergentes. E o modelo considerado “padrão”, capaz de garantir proteção social ao trabalhador, já não predomina entre os empregos gerados no ano passado, nem nos países desenvolvidos. As estatísticas indicam, por exemplo, que mais de 60% dos trabalhadores do planeta não têm contrato de trabalho. Entre os assalariados, menos da metade (42%) têm um contrato permanente.

Por países, Bolívia e Peru, junto com a China, o Níger e a Índia registraram as maiores taxas de emprego sem contrato permanente, ficando acima de 90%. Na América Latina, esse percentual cai para quase 31% na Costa Rica e em torno de 55% no Chile e na Argentina. O emprego registrou grandes diferenças entre as regiões. Nas economias desenvolvidas e na Europa Central e Sudeste, cerca de oito em cada dez pessoas em idade ativa têm um emprego, enquanto no Sul da Ásia e na África subsaariana o número é reduzido para dois em cada dez.

— Estes dados indicam um mundo de trabalho cada vez mais diversificado. Em alguns casos, as formas atípicas de trabalho podem ajudar as pessoas a obter uma posição no mercado. Mas essas tendências emergentes também são um reflexo da insegurança generalizada que está afetando muitos trabalhadores em todo o mundo hoje — afirmou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

E ele completa:

— A mudança que estamos vendo a partir da relação de trabalho tradicional para formas mais atípicas de emprego é, em muitos casos, associada ao aumento das taxas de desigualdade e de pobreza em muitos países. Além do mais, essas tendências arriscam perpetuar o círculo vicioso de fraca demanda global e criação lenta de emprego, que tem caracterizado a economia global e muitos mercados de trabalho durante todo o período pós-crise.

Segundo a instituição, a taxa mundial de desemprego é de 5,9% (cerca de 201 milhões de pessoas) e de 13% para os jovens — menor que os 6,4% e maior que os 12,9%, respectivamente, registrados em 2000.

A cada ano 40 milhões de pessoas entram no mercado de trabalho. E a situação dos jovens na América Latina, é bastante variada. Enquanto países como o Chile e Uruguai, “estão fazendo melhor”, Brasil e México têm mais dificuldades para melhorar o acesso juvenil ao emprego. Nesse quesito, a Alemanha, com uma taxa de 7,6% de desemprego entre os jovens, foi o país mais bem colocado.

Fonte: O Globo

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