Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
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27% das escolas pobres não teriam Fies

As escolas públicas que atendem os estudantes mais pobres do País têm uma média 7% menor no Enem 2014 do que a nota geral das redes estatais. Essas unidades são as que têm nível socioeconômico considerado muito baixo ou baixo pelo governo. Das 770 escolas nessas condições, 27% não alcançaram média mínima para que os alunos tenham acesso ao Financiamento Estudantil (Fies).Para pesquisar as notas de todas as escolas, clique aqui.

Com as novas regras do programa federal de financiamento, que passaram a valer neste ano, apenas estudantes que conseguirem média de 450 pontos no exame nas quatro áreas da prova poderão concorrer a uma das vagas do Fies. O programa é voltado para estudantes carentes e vindos de escolas públicas que não podem pagar as mensalidades em instituições particulares de ensino superior.

Na lista das escolas públicas com alunos mais pobres, 210 não conseguiram superar a média de 450 pontos. A maioria (71%) ficou entre 450 e 500 pontos. Somente 13 escolas (2% desse grupo) superaram os 501 pontos. Se considerarmos a média da rede particular (557,98 pontos), nenhuma fica acima.

Os números mostram que essas escolas registraram uma média de 458,92 na parte objetiva da prova. O resultado da rede pública foi de 490,99.

A partir de informações de renda indireta – como bens materiais – e a escolaridade dos pais dos alunos que fizeram o Enem, o Inep chegou a sete níveis socioeconômicos que variam entre muito baixo e muito Alto. A nota mínima no Enem para o Fies foi adotada pelo governo com o objetivo de melhorar a qualidade dos alunos, mas o critério pode atingir os mais pobres. Várias pesquisas indicam de que o nível socioeconômico do aluno, e não só a escola, é um fator preponderante no sucesso escolar.

Apoio

Para a diretora do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, a exigência de nota mínima pode elevar o desempenho desses estudantes. “É importante ter algo que puxe a nota dos alunos, que eles tenham um grande desafio para atingir essa nota.” Ela acredita que unidades que não atingem nem a média do Fies devem ter apoio técnico e financeiro dos governos federal e estaduais.

“Estas escolas, de certa forma, estão negando o acesso desses alunos ao ensino superior. E esse aluno, que é de nível socioeconômico baixo, não vai ser admitido em nenhuma instituição. Só pelo Fies.”

Fonte: O Estado de S.Paulo.

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