Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
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74% das startups brasileiras fecham após cinco anos, diz estudo

Empreender é uma tarefa árdua, mas pode trazer uma série de benefícios que incluem ter um controle maior sobre a carreira, trabalhar com o que gosta ou encarar novos desafios profissionais. O caminho exige disciplina, foco, às vezes sorte, e investimento. Mas nem sempre dá certo. Estudo realizado pela aceleradora Startup Farm aponta que 74% das startups brasileiras fecham após cinco anos de existência e 18% delas antes mesmo de completar dois anos. E o motivo não é majoritariamente falta de aporte ou de investimento. “As principais causas são conflitos entre os sócios e o desalinhamento entre a proposta de valor e o interesse do mercado”, diz Igor Mascarenhas, diretor de investimentos da Farm.VC, área da StartupFarm responsável pelo acompanhamento da evolução das startups. O estudo abrange cerca de 30% das startups aceleradas no Brasil desde 2011. Foram analisados 191 negócios.

Segundo Mascarenhas, a briga entre sócios é comum porque, em muitos casos, eles não tinham as mesmas expectativas ou visão para o negócio que fundaram juntos. Além disso, as startups analisadas mostram que não encontrar uma solução aderente ao mercado, que realmente se valide e vingue, é uma causa muito frequente da mortalidade delas. “Em uma empresa tradicional, diferente da startup, esse problema é menor: as condições de mercado já estão colocadas de antemão e já existem outras empresas oferecendo o mesmo produto, o que facilita a avaliação do mercado”, afirma Mascarenhas.

O estudo também mostra que, dentro do cenário brasileiro, as startups B2B têm maior facilidade e rapidez na hora de gerar caixa e obter receita. Essas startups atuam com transações de produtos e serviços para empresas – e não para o consumidor final (caso das B2C).
No Brasil, contudo, o modelo B2B sempre foi maior em termos de números de negócio e de preferência pelos empreendedores. “As startups focadas no B2C sempre geraram desejo, pois foi o modelo adotado pelos grandes cases mundiais, como Facebook, Google e Airbnb. É tambem mais fácil encontrar – e se propor a resolver – problemas vinculados a pessoas físicas”, diz Mascarenhas. O problema é que elas demoram mais tempo para construir uma base de consumidores e, por consequência, monetizar seu negócio. “Essas empresas também precisam de um volume de investimentos muito maior, o que dificulta o crescimento.”

É por este motivo que as B2B vêm crescendo nos últimos anos (confira o gráfico abaixo). Em 2014, segundo o estudo da StartupFarm, havia três vezes mais B2B do que B2C. “Também estamos vendo, em 2016, muitos executivos do alto escalão saindo das empresas para empreender em modelos B2B”, diz Mascarenhas.

Público-alvo 2011 2012 2013 2014 2015 2016
B2C 44.74% 30.91% 50% 21.43% 27.59% 14.29%
B2B 31.58% 34.55% 33.33% 64.29% 37.93% 50%
Modelos híbridos 23.68% 34,54% 16,67% 14,28% 34,48% 35,71%
Fonte: StartupFarm

Visão estratégica do negócio em termos financeiros, contudo, é algo que afeta a grande maioria das startups no país. Mascarenhas explica que o mercado brasileiro “ficou viciado” em criar negócios com modelos mais simples de cobrança, como mensalidade por uso. Mas que não funcionam como única forma de monetização. É específico e adequado apenas a determinados negócios. É preciso, portanto, estar aberto a novas opções. “A conta de luz, por exemplo, tem um modelo de receita que varia de acordo com o uso. Já o Netflix cobra por mensalidade, mas poderia cobrar por filme assistido ou royalties”, diz.

Fonte: Época.

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