Sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
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A difícil vida de quem exporta – editorial de “O Estado de S. Paulo”

Em vez de receber estímulos, quem deseja exportar enfrenta muitos obstáculos para conseguir vender seus produtos e serviços mundo afora. Recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), “Desafios à competitividade das exportações brasileiras”, avalia os principais entraves enfrentados pelas empresas brasileiras na hora de exportar e mostra um panorama assaz desafiador. São dezenas de obstáculos, de várias naturezas, a dificultar a vida das empresas que não querem se contentar apenas com o comércio interno.

Em 2015, 20.322 empresas brasileiras realizaram exportações, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. A pesquisa da CNI ouviu 847 dessas empresas, que avaliaram 62 pontos que atrapalham o comércio exterior. Atribuíram notas de 1 a 5 a cada item, e, quanto mais alta a nota, mais crítico era o obstáculo.

Para as empresas, os dois pontos mais críticos para a exportação são o custo de transporte (nota 3,61) e as elevadas tarifas cobradas por portos e aeroportos (nota 3,44). Em terceiro lugar está a baixa ação do governo para superar as barreiras à exportação, item que recebeu a nota 3,23. Na lista dos 10 maiores problemas para exportar aparecem ainda o excesso e a complexidade de leis e documentos necessários para exportar, a existência de leis conflituosas e o excesso de alteração das regras.

Ao ouvir a opinião tanto de grandes como de pequenas empresas, a pesquisa detectou dificuldades comuns no processo de exportação. Por exemplo, seja qual for o porte da empresa ou sua localização dentro do país, os maiores desafios às exportações são os entraves na logística, a burocracia e os custos alfandegários.

“A pesquisa aponta que, se o Brasil quiser realmente ser competitivo, é necessário reduzir a morosidade e a burocracia aduaneira e alfandegária, simplificar o fluxo documental e legal do processo de exportação e melhorar a infraestrutura logística para o escoamento”, afirma Robson Braga de Andrade, presidente da CNI.

Além de atribuir uma nota individual a cada entrave, a pesquisa também avaliou as diversas categorias de obstáculos. Nesse ranking, o grupo considerado mais crítico pelas empresas exportadoras refere-se aos problemas macroeconômicos. Em seguida vêm os obstáculos legais e institucionais.

A pesquisa indica ainda que, para as empresas exportadoras, antes mesmo dos entraves tributários – reconhecidamente, um dos sérios obstáculos nacionais, que distorcem a competitividade do produto brasileiro mundo afora – está o problema do acesso a mercados externos. O exportador vê que as portas ainda estão excessivamente fechadas a seus produtos e serviços. Quando perguntados a quais mercados gostariam de vender seus produtos, 20,5% indicam os Estados Unidos. Em seguida, aparecem Argentina (11,6%), Chile (7,1%), China (6,0%) e México (4,9%).

O estudo da CNI revela também que o exportador brasileiro quer mais acordos comerciais – 23,9% dos exportadores brasileiros almejam um acordo comercial com os Estados Unidos e 16,1% querem um acordo com a União Europeia. Existe a percepção do alto custo de não ter acordos comerciais adequados. Para 32% das empresas entrevistadas, a burocracia administrativa e aduaneira no país de destino e a presença de tarifas de importação são os principais obstáculos enfrentados para conseguir vender seus produtos e serviços. As medidas sanitárias e fitossanitárias são, para 20% dos exportadores, outro importante obstáculo a ser superado.

Conforme lembra a CNI, as exportações brasileiras de bens e serviços em 2014 representaram apenas 12% do PIB, e a média internacional, de acordo com dados do Banco Mundial, é de 30%. Longe de ser um exercício teórico, diagnosticar com precisão as causas dessa disparidade é uma necessidade. Afinal, o isolamento tem um alto custo econômico e social.

Fonte: “O Estado de S. Paulo”.

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