Abrir um negócio no Brasil é igualmente difícil para homens e mulheres

O Brasil apresenta baixo potencial de crescimento do empreendedorismo feminino. Essa é uma das conclusões do Gender-Global Entrepreneurship Development Index (GEDI) 2014 — o Índice Global de Desenvolvimento de Empreendedorismo por Gênero, um levantamento encomendado pela Dell, empresa de soluções na área de tecnologia. Entre os 17 países pesquisados, o Brasil ocupa o 14º lugar, com 36 pontos, em uma escala de cem pontos. Os Estados Unidos (EUA) conquistaram a primeira posição, com 76 pontos. O Brasil só não perdeu para Egito (34), Índia (32) e Uganda (32).

Depois dos EUA, surge a Austrália, com 70 pontos; Alemanha, com 63; França, com 56; México, com 55. Completando a lista dos dez melhores colocados: Reino Unido (51), África do Sul (43), China (41), Malásia (40) e Rússia (40). O estudo tem por objetivo identificar a nação de maior potencial de crescimento do empreendedorismo feminino. A pesquisa mostra que, globalmente, as mulheres não estão em condições de igualdade em relação aos homens em termos de acesso a recursos, dificultando a abertura de empresas comandadas por elas e até o crescimento das já existentes.

Presidente da Associação Brasileira de Embalagem, a empresária Gisela Schulzinger descarta dificuldades para empreender inerentes ao gênero. Para ela, abrir um negócio e mesmo mantê-lo no Brasil desafia igualmente homens e mulheres: “Eu não acho que seja mais difícil para a mulher. O empreendedorismo é uma grande questão no Brasil. Embora tenhamos um espírito empreendedor, é uma carreira difícil aqui. Exige coragem e ousadia. O processo burocrático complica”.

Para Gisela, o que acontece no mercado de trabalho em relação às mulheres tem raízes no passado. Ela concorda que elas apresentam uma desvantagem histórica em termos profissionais, que tem a ver com o fato das mulheres terem começado mais tarde e, muitas vezes, informalmente. “Mas a gente vem minimizando esses fatores”, diz ela, que fundou a sua própria empresa, a Haus Design, em 1998, e hoje é sócia da Pande Design, agência especializada em desenvolvimento de projetos de Branding e Design Estratégico e Inovação.

Realizada pelo The Global Entrepreneurship and Development Institute (Gedi), empresa de consultoria instalada em Washington dedicada à expansão de oportunidades econômicas, a pesquisa mostra que, no que diz respeito à carreira pré-empresarial, o Brasil se iguala à França, Alemanha e Rússia, com 36% de mulheres gerentes. Resultado melhor só o obtido pelos Estados Unidos (43%). No entanto, segundo o levantamento, nos países onde existe uma diferença entre a quantidade de mulheres em postos de gerência e o total delas em cargos mais altos na carreira empresarial, caso do Brasil, o dado pode apontar para a existência de uma barreira que as impede de avançar. Gisela acredita que embora elas estejam estudando mais, o fator possa ter relação com a formação e a própria disponibilidade das profissionais. “A mulher que chega ao nível de gerência já é muito bem vista na carreira. Isso também se deve a uma questão da disponibilidade da mulher. Muitas nem desejam ir além”, explica Gisela.

A pesquisa também avaliou o que homens e mulheres pensam sobre a relação entre gênero e carreira executiva. Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados quem discordava da sentença: “Os homens fazem melhores executivos do que as mulheres”. Tanto nos EUA quanto na França, quase 80% dos homens e 90% das mulheres não concordaram com a afirmação. No Brasil, assim como nos EUA e na França, é maior o total de mulheres que rejeitam a sentença: apenas 60% dos homens e quase 80% das mulheres discordaram da afirmativa. Para Gisela, as opiniões refletem conflitos que a cada dia vão se tornando mais distantes da realidade. “A tendência é minimizar cada vez mais as diferenças e restar apenas as naturais, físicas de cada um. É preciso entender que homem e mulher têm seu papel e que a diversidade é o mais interessante”, conclui.

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