Agenda semanal da economia

Uma segunda-feira de estresse nos mercados. Vários foram os motivos, em destaque a crescente pressão do governo Obama sobre as montadoras – General Motors e Chrysler -, já que não foram aprovados novos planos de viabilidade, e foi dando um prazo curto para que estas empresas desenvolvam novos planos de reestruturação para a obtenção de novos empréstimos. Em paralelo a isto, o secretário do Tesouro Geithner disse no domingo que alguns bancos precisarão receber muita assistência. Com isto, os papéis dos bancos operaram em forte queda neste dia.

Os mercados operaram pessimistas com o encontro do G-20, com poucos acreditando num desfecho favorável sobre o redesenho de um novo sistema de regulação global. Além disto, segundo o Financial Times, “os líderes devem reiterar a promessa de evitar o protecionismo e retomar as discussões globais sobre comércio, mas não devem trazer novidades sobre mais medidas de estímulo econômico para lidar com a crise.”

Sobre o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado pelo Bacen, o cenário ainda é de muita incerteza sobre os cenários doméstico e internacional.  Sobre as projeções do Relatório, o IPCA de 2009 caiu de 4,7% para 4% e, para 2010, de 4,2% para 4%. Esta estimativa de 2010, inclusive, acabou surpreendendo parte do mercado, que esperava uma queda mais forte. Foi reduzida também a estimativa do PIB deste ano para 1,2%, bem abaixo da previsão utilizada na elaboração do orçamento deste ano, de 2%.

Na pesquisa Focus, o IPCA passou de 4,42% para 4,32% na projeção deste ano, a taxa de juros foi mantida em 9,25%, assim como o câmbio em R$ 2,30 (em linha com as nossas projeções) e o PIB acabou zerado para este ano. Para 2010, o juro foi a 9,5%, o câmbio mantido em 2,30 e o crescimento do PIB em 3,5%. A deflação do IGP-M em março (-0,74%) se explica pela forte queda do IPA, passando de 0,20% para –1,24%, com Matérias-Primas Brutas recuando de 0,6% para –2,97%, com forte queda da soja, milho e café.

Sobre o episódio das montadoras, o governo Obama acabou forçando o executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, a pedir demissão. Para a GM foi dado um prazo de 60 dias para que ela apresente uma nova estratégia de viabilidade, enquanto que a Chrysler terá apenas um mês para fechar uma parceria com a Fiat, da Itália. No mercado, e para o governo Obama, acredita-se que a única saída será a declaração de uma concordata “cirúrgica” para ambas as empresas.

No cenário doméstico, outro fato a merecer atenção nesta segunda-feira foi o anúncio do governo de prorrogação da redução do IPI sobre veículos e também a redução do imposto para 30 itens de material de construção, para tentar estimular a economia, com validade de 1º de abril até o dia 30 de junho. A medida, segundo o ministro Miguel Jorge, embute uma contrapartida: a manutenção do nível de emprego da cadeia automotiva.

Na agenda semanal, nesta terça-feira saem os Dados Fiscais do governo central e de outras esferas de governo referentes a fevereiro, a Sondagem da Indústria da FGV, e nos EUA a Confiança do Consumidor, os Gastos com Construção, ambos de março. Na quarta-feira, a balança comercial de março, prevendo um saldo positivo de US$ 1,35 bilhão, os dados da PIM do IBGE, sobre a produção industrial de fevereiro, mostrando recuo em fevereiro contra janeiro, e nos EUA os Gastos com Construção, a Pesquisa de Emprego da ADP e a Atividade Industrial (ISM), todos de março. Na quinta-feira, o IPC da Fipe de março, prevendo 0,25%, nos EUA, as Encomendas da Indústria em fevereiro, e na Europa a reunião do Banco Central Europeu. Por fim, na sexta-feira, nos EUA, o nível de emprego e a Atividade de Serviços (ISM) ambos de março. Lembremos que na quarta e na quinta-feira haverá a reunião do G-20.

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