Quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Alto crescimento ocorre entre 1% de empresas do país

Estudo da Endeavor, organização global que apoia empreendedores, aponta que 1% das empresas existentes no país são responsáveis por gerar quase 60% dos novos postos de trabalho ao ano. A pesquisa também identificou que 92% dessas empresas são pequenas e médias.

Os dados fazem parte do estudo ‘Escale-ups no Brasil’, que traçou o perfil das empresas de alto crescimento. “A expressão scale-up é bastante difundida fora do Brasil. Sua definição foi feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, diz o gerente de pesquisa e mobilização da Endeavor, João Melhado, que liderou o estudo.

Conforme a OCDE, para ser uma empresa de alto crescimento é preciso crescer pelo menos 20% ao ano por três anos consecutivos em número de funcionários ou em faturamento, e ter pelo menos dez funcionários no primeiro ano de atividade.

Melhado diz que por mais que o Brasil tenha apenas 33 mil empresas com esse perfil, elas geram um grande impacto pois, enquanto uma escale-up contrata 31,3 funcionários por ano, a média do restante dos negócios é de apenas 0,34 funcionário. “Imagine o impacto que seria gerado na economia se tivéssemos 100 mil empresas de alto crescimento no Brasil.”

Segundo ele, o foco da Endeavor sempre esteve voltado às empresas que estão crescendo. “Agora, com esse resultado, teremos mais propriedade para falarmos sobre o assunto e ajudarmos a transformar as empresas para que cada vez mais elas possam crescer.” Para download do estudo acesse o endereço: info.endeavor.org.br/scale-ups.

Entre as scale-ups nacionais está a Uatt?, fundada por Rafael Biasotto, em 2002. “O negócio começou no fundo do quintal da casa de minha mãe e hoje ocupa um espaço com mais de sete mil m². Entre funcionários diretos e indiretos, empregamos 220 pessoas. Mas se olharmos para lojistas e seus funcionários, são cerca de seis mil pessoas que dependem da marca.”

A linha de objetos de decoração e de presentes da Uatt? marca presença em dez países e é comercializada em lojas multimarcas, franquias e por distribuidores. “Por muito tempo, crescemos 75% ao ano. Nos últimos anos, temos crescido entre 12% e 20%”, diz Biasotto.

A Tecverde, fundada por três jovens engenheiros em 2009, foi criada com o objetivo de inovar tanto o produto quanto o processo de construção. O negócio que também engrossa a lista de escale-ups começou com seis pessoas e atualmente emprega 100 funcionários.

“Durante a faculdade, nos deparamos com o fato de que os problemas que envolvem a construção civil já existiam há mais de cem anos. Meu pai e o pai de um dos sócios tinham construtora e crescemos no canteiro de obras. Desde cedo vislumbramos os desafios da área como mão de obra, excesso de resíduos, desperdício e uma ineficiência gigantesca”, conta Caio Bonatto.

Eles tinham duas opções: conviver com esses problemas no exercício da profissão ou usá-los como oportunidade de negócio. Escolheram o segundo caminho e criaram uma empresa para tornar o segmento uniformizado e sustentável. “Hoje, construímos casas em fábrica, da mesma forma que uma montadora monta um carro.”

Bonatto conta que as paredes, lajes e coberturas são produzidas de acordo com cada projeto. “Começamos vendendo para o público de alta renda para posicionar a empresa como fornecedora de produto de qualidade. Em seguida, homologamos a tecnologia no Ministério das Cidades e passamos a atuar nos programas do Minha Casa Minha Vida.”

Ele afirma que fornece casas de qualidade para o público de baixa renda com o dobro de conforto térmico e acústico, e em uma velocidade muito maior do que a de uma casa convencional. “Montamos uma casa em três horas”, diz. O jovem conta que sua primeira indústria tinha capacidade de produzir 12 casas por ano. “Agora, a nova unidade pode construir três mil casas por ano.”

Em relação a sustentabilidade, a Tecverde reduz em 80% as emissões de CO2 e em 85% a geração de resíduos. “Nosso próximo passo em termos de produto é homologar a construção de prédio”, afirma.

Outro negócio que tem tido crescimento exponencial é o Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS), fundado em 2009. Renato Saraiva era membro do Ministério Público e também dava aula em curso preparatório para concurso, até resolver montar o próprio curso.

“Era para ser um curso presencial e via satélite para as faculdades, voltado ao exame da Ordem dos Advogados. Depois de sete meses, resolvi migrar para o online, foi quando o negócio decolou”, conta Saraiva.

O empresário diz que terminou 2009 faturando R$ 1 milhão e em 2010 o faturamento pulou para R$ 10 milhões. “Terminamos 2014 com faturamento de R$ 62 milhões, 180 funcionários e 27 estúdios espalhados pelo Brasil.”

Hoje, a empresa grava cerca de 500 cursos por ano e atende 100 mil alunos. Para cada concurso e a cada prova da OAB, novo conteúdo é criado para que os alunos tenham acesso a questões atualizadas. “Nosso diferencial é oferecer conteúdo de qualidade e atualizado. Temos professores de todo o Brasil. São juízes, procuradores, advogados e professores.”

Rede de Clínicas tem como foco pessoas que não têm plano de saúde

Criador da rede de clínicas Dr. Consulta, onde uma visita ao médico custa em torno de R$ 80, Thomaz Srougi acredita que o setor privado pode fazer melhor trabalho do que o governo em algumas áreas.

“Estudei políticas públicas e sempre questionei essa história de o governo querer fazer tudo aqui no Brasil. Ele não tem condições e nem dinheiro para isso. O setor privado está melhor equipado para atuar em áreas como educação e saúde.”

Antes de empreender, ele procurou um grande problema brasileiro que estivesse sem resposta há muito tempo. “Resolvi investir na área da saúde por ser uma questão prioritária e afetar muita gente. A decisão veio depois que descobri que 100 milhões de pessoas não têm acesso à saúde no País. Isso foi em 2011. Três meses depois, tinha uma clínica aberta e testei o modelo até chegar a um formato viável que é o adotado hoje.”

A primeira unidade do Dr. Consulta começou com cinco pessoas. Um médico e três enfermeiras. Hoje, tem oito clínicas, 200 colaboradores e 300 médicos. Mais quatro unidades serão inauguradas até dezembro na capital paulista. A meta é dobrar o tamanho da rede até o final de 2016.

“Construí o negócio centrado no paciente que não tem plano de saúde. No início, só oferecia consultas. Com o tempo, aumentei as especialidades, introduzi exames de laboratório e de imagens. Em seguida, além de fazer diagnósticos, passei a realizar tratamentos.”
Hoje, a rede oferece 35 especialidades, diagnósticos cinco vezes mais rápidos do que o SUS e a remuneração paga aos médicos é maior do que a dos planos de saúde.

Ele ressalta a importância da prevenção e da promoção da saúde. “Se o paciente fica doente é porque o sistema de prevenção falhou. Queremos chegar às pessoas antes que elas fiquem doentes. Este é o nosso sonho. Só será possível atenuar o problema da saúde no Brasil se houver atenção básica, que é onde atuamos. Nossa proposta é educar e melhorar os hábitos de vida das pessoas.”

Ele conta que quem passa pela sua clínica recebe dicas de saúde. “Nosso esforço ainda é tímido mas vamos implantar iniciativas de prevenção. Vamos cadastrar pacientes que serão classificadas conforme o grau de risco e iremos ajudá-los a controlar uma condição ou evitar desenvolver uma doença.”

Srougi pretende crescer com clínicas próprias para controlar a qualidade e os processos. Segundo ele, a remuneração dos médicos é baseada em produtividade e qualidade percebida pelo paciente. “Quanto melhor avaliado, melhor é a remuneração. Ao término de cada consulta, o paciente recebe pesquisa de satisfação em seu celular.”

Ele conta que fechou parceria com a Beneficência Portuguesa para a realização de cirurgias a partir de novembro. “Os pacientes poderão usufruir da estrutura do quarto maior hospital de São Paulo, por um custo muito baixo e pagamento facilitado.”

Fonte: O Estado de S.Paulo.

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