Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
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Arminio Fraga: ‘Brasil está no cheque especial’

O ex-presidente do Banco Central (BC), Arminio Fraga, afirmou que o país está seguindo alguns caminhos errados. Segundo ele, o “Brasil está no cheque especial”. O economista, sócio da Gávea Investimentos, participou de um encontro na Casa do Saber O GLOBO, na Lagoa, zona Sul do Rio de Janeiro. Ele citou o fato de o país ter alavancado o crescimento com base no crédito sem conseguir estimular o aumento do investimento. Criticou ainda o fato de os juros subsidiados do BNDES “inibirem a alocação de capital mais competitivo”.

— Sem investimento não consegue crescer. Tenho medo que o Brasil demore a dar uma resposta para isso. Hoje, estamos vivendo o pior dos mundos. Há uma carência em infraestrutura. Falta convicção. E a parte do ajuste não está acontecendo, apesar de sua tentativa. O governo está no cheque especial. Hoje, o juro real do país é de 7%. Estou extremamente preocupado. Não desisti, mas estamos caminhando para uma situação dolorosa. O Brasil precisa arrumar as coisas — disse ele, lembrando que a relação entre a dívida e o PIB está em 70%.

Na avaliação de Fraga, tendência é que relação entre dívida e PIB suba diante da atual taxa de juros no país:

— Temos o juro real mais alto do mundo e uma economia que não vai crescer. E não temos superavit primário para compensar. Assim, a relação entre a dívida e o PIB tem tendência de crescimento. Isso não vai se curar e com o tempo vai piorar se nada for feito.

Perguntado sobre o risco de o país perder seu grau de investimento, Fraga disse que “o mercado faz o rebaixamento muito antes das agências” de classificação de risco. Hoje, o país está no último degrau do grau de investimento pela Moody’s e da Standard & Poor’s. Na Fitch, apesar de ainda estar a dois passos do grau especulativo, mas com perspectiva negativa.

— Isso (rebaixamento feito pelo mercado) já está acontecendo — frisou.

Fraga disse ainda a chamada nova matriz econômica do país “cometeu erro grave na energia”. Ele citou a queda nos preços da energia elétrica, através de uma Medida Provisória, e o ônus em cima da Petrobras, ao segurar o preço dos combustíveis, o que gerou perdas para a estatal, e as pesadas exigências com conteúdo local.

Fonte: O Globo.

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