Domingo, 11 de dezembro de 2016
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Brasil é o emergente com maior risco de rebaixamento

A mudança na perspectiva do rating brasileiro para “negativa” pela Standard & Poor’s aumentou a aposta entre analistas estrangeiros de que o Brasil pode ser o primeiro entre os principais países emergentes a perder a classificação de grau de investimento nos próximos dois anos. Além do Brasil, analistas dizem que estão na berlinda África do Sul, Indonésia e Turquia. A Rússia já perdeu o selo de bom pagador.

Economistas estrangeiros dizem que a situação do Brasil é mais delicada. Na terça-feira, (28/07) a analista da S&P responsável por Brasil, Lisa Schineller, foi questionada durante teleconferência por analistas de bancos internacionais sobre como avalia a situação da economia brasileira comparada à de outros emergentes. Lisa disse que o Brasil tem apresentado nos últimos anos uma dinâmica pior de crescimento que seus pares e o desempenho da atividade econômica é um fator avaliado de perto pelas agências de classificação de risco.

Além disso, as contas externas ainda estão ruins e o Brasil tem de lidar com os reflexos das investigações de corrupção na Petrobras, que vêm afetando o setor privado, o ambiente político e a atividade econômica. Como ponto positivo, na comparação com outros países emergentes, a analista destaca que o Brasil tem reservas internacionais robustas.

El-Erian

Entre os analistas, a percepção de que o País pode ser rebaixado vem crescendo desde a semana passada, quando foram anunciadas as revisões nas metas fiscais, e aumentou na terça-feira, 28. “Os problemas financeiros e econômicos no Brasil continuam a crescer. Aumentou o risco da perda do grau de investimento do país após a decisão da S&P”, avaliou na terça-feira o ex-sócio da gestora Pimco e hoje conselheiro econômico global do grupo Allianz, Mohamed El-Erian.

Uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch, que ouviu gestores em todo mundo que investem em países emergentes, aponta o Brasil como o emergente mais provável de perder o grau de investimento, na comparação com África do Sul, Turquia e Indonésia: 65% dos investidores ouvidos acreditam que isso pode ocorrer nos próximos dois anos. A pesquisa do banco americano foi feita antes de a S&P anunciar a revisão da perspectiva do rating, mas os analistas já apontavam que esse porcentual pode aumentar nos próximos dias.

“A expectativa de rebaixamento do Brasil cresceu e deve continuar subindo”, afirma um relatório do BoFA. Nos outros emergentes, os porcentuais da pesquisa são menores que o Brasil. Para a África do Sul, 55% dos investidores acreditam na perda da classificação nos próximos dois anos, para a Turquia o porcentual é de 50% e para a Indonésia, ao redor de 20%. Entre os grandes emergentes, a Rússia já perdeu o grau de investimento após a crise geopolítica, queda do petróleo e sanções internacionais.

Roubini

A possibilidade de o Brasil perder o selo de bom pagador e ser classificado como “especulativo” nos mercados “continua a ser um risco de curto prazo”, avaliou a Roubini Global Economics, consultoria do economista Nouriel Roubini – que ficou famoso por prever a crise financeira de 2008. Em 17 de julho, a consultoria atualizou o cenário para o Brasil com a análise de que uma “avaliação abaixo de grau de investimento pode, eventualmente, ser justificada”.

O Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), formado pelos maiores bancos do mundo, vê o Brasil “com sério risco” de perder o grau de investimento, citando a piora nos lados econômico e político.

Na mesma linha, o banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH) estima que o País pode perder o selo já no terceiro trimestre. Um estudo da casa, levando em conta indicadores fiscais e de crescimento, mostra que o perfil econômico do Brasil seria mais compatível com o rating abaixo do grau de investimento.

No caso de Roubini, a consultoria explica que a recessão brasileira está se aprofundando e, apesar disso, a inflação continua em trajetória de alta. Concluído antes da revisão da meta fiscal, o relatório destaca que os cortes de gastos do governo tendem a aprofundar o quadro recessivo e a alta dos juros para conter os preços torna cada vez menos provável o aumento do investimento privado. Tudo isso reforça o cenário negativo para o país que poderia servir de pano de fundo para a piora do rating, diz a consultoria. Além disso, o economista nota que há “média probabilidade” de três outros fatos prejudiciais ao Brasil: queda ainda maior no preços das commodities, aperto monetário demasiado do BC – o que pode exacerbar a recessão – e queda ainda mais acentuada do investimento diante da incapacidade do governo de restaurar a confiança.

Fonte: Época.

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