Sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
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Brasil é o emergente mais vulnerável a rebaixamento

Os mercados emergentes deverão enfrentar outra onda de rebaixamento de ratings para o próximo ano, disse o principal analista de ratings soberanos da agência de classificação de risco Fitch, James McCormack, em entrevista. Segundo ele, o Brasil pode ter um corte para grau especulativo e a região da África e Oriente Médio receber potencialmente uma “perspectiva negativa” .

— O Brasil parece ser o mais vulnerável (a perder o grau de investimento) — disse McCormack, citando a falta de consolidação fiscal do país como a maior causa de preocupações. — Vamos olhar para isso novamente no começo de 2016. Quando as coisas estão se deteriorando, precisamos acompanhar com maior frequência. Faz apenas poucos meses (desde o último rebaixamento em outubro), mas até o momento nós não vimos de fato nenhuma melhora.

Em outubro a Fitch cortou a nota de crédito do Brasil para “BBB-”, último degrau que garante o grau de investimento, e agora todas as atenções estão voltadas para ver se ela segue a S&P e corta a nota do Brasil para grau especulativo.

— Creio que é um padrão que vamos continuar vendo no próximo ano — disse McCormack.

Em setembro, a Standard & Poor’s retirou o selo de bom pagador do Brasil ao cortar o rating do país para “BB+” ante “BBB-”, e sinalizou que pode colocar o país ainda mais para dentro do território especulativo, ao manter a perspectiva “negativa” para a nota de crédito brasileira. Tal movimento pode retirar mais de US$ 20 bilhões de valor dos títulos brasileiros, prevê o JPMorgan.

Os preços deprimidos das commodities combinados com o crescimento global medíocre e a aproximação da primeira elevação dos juros nos Estados Unidos em quase uma década estão se mostrando uma ameaça para os ratings dos países em desenvolvimento, disse McCormack à Reuters.

Além do Brasil, a agência já cortou o rating de 11 economias emergentes exportadoras de commodities neste ano, e 14 países, incluindo grandes nomes como Rússia, África do Sul e Nigéria estão atualmente sob alertas de rebaixamento — ou perspectivas negativas na linguagem da agência de rating.

As expectativas de que o dólar continuará a subir quando a taxa de juros dos EUA começar a ser elevada também são importantes para os ratings de mercados emergentes.

— Historicamente não há relação entre o rating médio dos mercados emergentes e a taxa de juros do Fed, mas há uma relação bem próxima entre o dólar e o rating médio dos mercados emergentes — completou McCormack.

Fonte: O Globo

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