Brasil está entre os dez países que menos crescem em 2015

ajuste econômico

Ranking elaborado com previsões do Banco Mundial mostra países com maiores desafios atualmente

Alguns países recuperaram-se relativamente rápido da crise financeira mundial que explodiu em 2008 – mas outros não podem dizer o mesmo. “É preocupante que a recuperação esteja travada em algumas economias – até mesmo naquelas de alta e média renda. O que pode significar sim um sintoma de mal-estar profundo na estrutura da economia mundial”, disse Kaushik Basu, economista do Banco Mundial.

Basu afirma que o “mais crítico” desse cenário é que é justamente nesse momento que os países buscam realizar reformas fiscais e estruturais, o que acaba jogando o crescimento “a longo prazo”. A partir dessas reflexões e utilizando dados já disponíveis sobre o PIB de vários países – e as respectivas previsões do Banco Mundial – o site “Business Insider” elencou as dez economias que estão crescendo mais devagar neste ano. O ranking, liderado pela Ucrânia, traz o Brasil na 8º posição – à frente apenas da Croácia e do Iêmen. Abaixo, confira por que cada país ocupa essa posição:

1) Ucrânia

A economia da Ucrânia enfrenta uma grave crise financeira, iniciada em 2010, quando a Rússia iniciou a briga pela Crimeia e acabou anexando o território. Corrupção na política e reformas ineficientes retardaram não só o crescimento do país como a consolidação de muitas políticas que haviam sido feitas. O PIB encolheu 6,8% em 2014. Tudo isso faz do país o de menor recuperação – e consequente ritmo de crescimento – deste ano. Para 2015, aliás, a previsão não é nada animadora: estimativa do PIB é de -7,5%. Já para 2016, há expectativa de crescimento de 2% e, no ano seguinte, 3%.

2) Venezuela

Mesmo após a morte de Hugo Chávez, a Venezuela depende fortemente do petróleo – que representa cerca de 96% das receitas de exportação ou cerca de 12% do PIB. Com a queda dos preços, a economia também despencou. Além disso, o governo de Nicolás Maduro tem gastos internos excessivos, precisa bancar o aumento no salário mínimo e o aumento de crédito – para estimular o consumo. Tudo isso tem causado uma inflação enorme: 20% em 2012, 56% em 2013 e 60% em 2014, segundo dados do anuário CIA Factbook. Para este ano, a previsão do PIB é retração de 5,10%. Para 2016, crescimento 1% e em 2017, um crescimento de 1,1%.

3) Líbia

O PIB da Líbia sofreu forte impacto em 2014, caindo 24%, após grandes protestos em portos e plataformas de petróleo em todo o país. O país gera uma enorme quantidade de dinheiro com energia. No entanto , o governo deixou de investir as receitas de uma forma que impulsionasse o desenvolviemnto da economia. Fora isso, a economia da Líbia tem sido extremamente volátil desde a eclosão da revolução política, em 2011. Este ano promete alguma recuperação, mas a previsão é de crescimento de 0,5%. Para o ano que vem, a projeção é mais otimista: 15% em 2016 e 10,90% em 2017.

4)Bielorrússia

A economia de Bielorrússia – localizada ao norte da Rússia e ao sul da Ucrânia – é muito ligada à russa – para o bem ou para o mal. Os fortes vínculos econômicos deixam o país vulnerável a qualquer abalo – desde sanções até queda nos preços do petróleo. Para tentar mudar esse cenário, o país, que não possui saída para o mar, busca melhorar sua relação com a Europa. Sem as reformas, no entanto, a economia fica estagnada. Em 2015, a previsão é de retração de 3,5% do PIB e para 2016, -1%. O crescimento viria em 2017, com expectativa de PIB de 1%.

5) Santa Lúcia

A economia do pequeno país do Caribe, altamente dependente do turismo, nunca se recuperou totalmente dos efeitos drásticos causados pela crise financeira. Houve uma queda significativa no número de turistas e as companhias aéreas reduziram o número de voos para lá. A forte dependência do turismo torna Santa Lúcia não só vulnerável ao tempo quanto também a desacelerações na economia global . Para 2015, a previsão é de PIB 0,6% menor e no ano que vem, crescimento de 0,8%. Para 2017, a previsão é de 1,4%.

6) Rússia

Altamente dependente da energia, a economia russa despencou com a queda de preços do petróleo e gás em 2014. Se por um lado Moscou ajustou o orçamento prevendo um cenário de preços baixos, por outro aumentou excessivamente os gastos militares – algo muito criticado por economistas e analistas. Os problemas estruturais da economia, que passam por uma forte interferência e ingerência do estado no setor privado, continuam trazendo “dores” ao país. Para este ano, a previsão é de queda de 2,7% do PIB. A economia deve voltar a recuperar-se em 2016, quando o Banco Mundial prevê crescimento de 0,7% e em 2017, de 2,5%.

7) Sérvia

A Sérvia, cujo PIB caiu cerca de 1,8% em 2014, sofre com uma alta taxa de desemprego e rendimentos das família estagnados. Além disso, reformas estruturais foram atrasadas desde a crise financeira global. Altos níveis de corrupção, envelhecimento da população e um sistema judicial ineficiente são alguns dos desafios a serem enfrentados pelo país. Para 2015, a expectativa é de queda de 0,5% no PIB. Para 2016, a previsão é de crescimento de 1,5% e para 2017 de 2%.

8) Brasil

A análise do “Business Insider” é a de que o governo brasileiro tentou impulsionar o crescimento econômico com subsídios a setores específicos, corte de impostos e aumento do crédito para estimular o consumo das famílias. Mas, segundo a análise, os saldos das contas fiscais e correntes do país também se desintegrou. Em cima disso, a Copa do Mundo trouxe uma enorme pressão à economia. Agora, o país lida com um duro ajuste fiscal. Para este ano, a previsão é retração de 1,3% do PIB (o último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, prevê encolhimento da economia de 1,35% em 2015). Para 2016, o crescimento deve ser positivo em 1,10%, e em 2017, 2%.

9) Croácia

A Croácia é uma “das melhores antigas repúblicas iugoslava”, mas sua economia nunca se recuperou completamente depois de 2008. O PIB caiu cerca de 0,4% em 2014 , e o país é atormentado por uma “teimosa taxa de emprego que insiste em se manter elevada”, pelo desenvolvimento regional desigual. Além disso, o baixo investimento estrangeiro afeta consideravelmente uma recuperação. Em 2015, a expectativa é de crescimento de 0,5%. Para 2016, de 1,2% e para 2017, de 1,5%.

10) Iêmen

A economia, altamente dependente de petróleo, sofreu um forte baque após bombardeios a seus oleodutos em 2014. O país ainda vive uma guerra civil. “O Iêmen continua a enfrentar desafios difíceis a longo prazo, incluindo os recursos hídricos em declínio , o desemprego elevado, a escassez de alimentos e uma elevada taxa de crescimento da população”, segundo analisa o CIA Factbook. Para 2015, a previsão é que a economia encolha 2,8%. Em 2016, crescimento positivo de 2,8% e em 2017 de 3,4%.

Fonte: Época Negócios

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