Terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Mantenedores mantenedores

Brasil está entre os dez países que menos crescem em 2015

Ranking elaborado com previsões do Banco Mundial mostra países com maiores desafios atualmente

Alguns países recuperaram-se relativamente rápido da crise financeira mundial que explodiu em 2008 – mas outros não podem dizer o mesmo. “É preocupante que a recuperação esteja travada em algumas economias – até mesmo naquelas de alta e média renda. O que pode significar sim um sintoma de mal-estar profundo na estrutura da economia mundial”, disse Kaushik Basu, economista do Banco Mundial.

Basu afirma que o “mais crítico” desse cenário é que é justamente nesse momento que os países buscam realizar reformas fiscais e estruturais, o que acaba jogando o crescimento “a longo prazo”. A partir dessas reflexões e utilizando dados já disponíveis sobre o PIB de vários países – e as respectivas previsões do Banco Mundial – o site “Business Insider” elencou as dez economias que estão crescendo mais devagar neste ano. O ranking, liderado pela Ucrânia, traz o Brasil na 8º posição – à frente apenas da Croácia e do Iêmen. Abaixo, confira por que cada país ocupa essa posição:

1) Ucrânia

A economia da Ucrânia enfrenta uma grave crise financeira, iniciada em 2010, quando a Rússia iniciou a briga pela Crimeia e acabou anexando o território. Corrupção na política e reformas ineficientes retardaram não só o crescimento do país como a consolidação de muitas políticas que haviam sido feitas. O PIB encolheu 6,8% em 2014. Tudo isso faz do país o de menor recuperação – e consequente ritmo de crescimento – deste ano. Para 2015, aliás, a previsão não é nada animadora: estimativa do PIB é de -7,5%. Já para 2016, há expectativa de crescimento de 2% e, no ano seguinte, 3%.

2) Venezuela

Mesmo após a morte de Hugo Chávez, a Venezuela depende fortemente do petróleo – que representa cerca de 96% das receitas de exportação ou cerca de 12% do PIB. Com a queda dos preços, a economia também despencou. Além disso, o governo de Nicolás Maduro tem gastos internos excessivos, precisa bancar o aumento no salário mínimo e o aumento de crédito – para estimular o consumo. Tudo isso tem causado uma inflação enorme: 20% em 2012, 56% em 2013 e 60% em 2014, segundo dados do anuário CIA Factbook. Para este ano, a previsão do PIB é retração de 5,10%. Para 2016, crescimento 1% e em 2017, um crescimento de 1,1%.

3) Líbia

O PIB da Líbia sofreu forte impacto em 2014, caindo 24%, após grandes protestos em portos e plataformas de petróleo em todo o país. O país gera uma enorme quantidade de dinheiro com energia. No entanto , o governo deixou de investir as receitas de uma forma que impulsionasse o desenvolviemnto da economia. Fora isso, a economia da Líbia tem sido extremamente volátil desde a eclosão da revolução política, em 2011. Este ano promete alguma recuperação, mas a previsão é de crescimento de 0,5%. Para o ano que vem, a projeção é mais otimista: 15% em 2016 e 10,90% em 2017.

4)Bielorrússia

A economia de Bielorrússia – localizada ao norte da Rússia e ao sul da Ucrânia – é muito ligada à russa – para o bem ou para o mal. Os fortes vínculos econômicos deixam o país vulnerável a qualquer abalo – desde sanções até queda nos preços do petróleo. Para tentar mudar esse cenário, o país, que não possui saída para o mar, busca melhorar sua relação com a Europa. Sem as reformas, no entanto, a economia fica estagnada. Em 2015, a previsão é de retração de 3,5% do PIB e para 2016, -1%. O crescimento viria em 2017, com expectativa de PIB de 1%.

5) Santa Lúcia

A economia do pequeno país do Caribe, altamente dependente do turismo, nunca se recuperou totalmente dos efeitos drásticos causados pela crise financeira. Houve uma queda significativa no número de turistas e as companhias aéreas reduziram o número de voos para lá. A forte dependência do turismo torna Santa Lúcia não só vulnerável ao tempo quanto também a desacelerações na economia global . Para 2015, a previsão é de PIB 0,6% menor e no ano que vem, crescimento de 0,8%. Para 2017, a previsão é de 1,4%.

6) Rússia

Altamente dependente da energia, a economia russa despencou com a queda de preços do petróleo e gás em 2014. Se por um lado Moscou ajustou o orçamento prevendo um cenário de preços baixos, por outro aumentou excessivamente os gastos militares – algo muito criticado por economistas e analistas. Os problemas estruturais da economia, que passam por uma forte interferência e ingerência do estado no setor privado, continuam trazendo “dores” ao país. Para este ano, a previsão é de queda de 2,7% do PIB. A economia deve voltar a recuperar-se em 2016, quando o Banco Mundial prevê crescimento de 0,7% e em 2017, de 2,5%.

7) Sérvia

A Sérvia, cujo PIB caiu cerca de 1,8% em 2014, sofre com uma alta taxa de desemprego e rendimentos das família estagnados. Além disso, reformas estruturais foram atrasadas desde a crise financeira global. Altos níveis de corrupção, envelhecimento da população e um sistema judicial ineficiente são alguns dos desafios a serem enfrentados pelo país. Para 2015, a expectativa é de queda de 0,5% no PIB. Para 2016, a previsão é de crescimento de 1,5% e para 2017 de 2%.

8) Brasil

A análise do “Business Insider” é a de que o governo brasileiro tentou impulsionar o crescimento econômico com subsídios a setores específicos, corte de impostos e aumento do crédito para estimular o consumo das famílias. Mas, segundo a análise, os saldos das contas fiscais e correntes do país também se desintegrou. Em cima disso, a Copa do Mundo trouxe uma enorme pressão à economia. Agora, o país lida com um duro ajuste fiscal. Para este ano, a previsão é retração de 1,3% do PIB (o último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, prevê encolhimento da economia de 1,35% em 2015). Para 2016, o crescimento deve ser positivo em 1,10%, e em 2017, 2%.

9) Croácia

A Croácia é uma “das melhores antigas repúblicas iugoslava”, mas sua economia nunca se recuperou completamente depois de 2008. O PIB caiu cerca de 0,4% em 2014 , e o país é atormentado por uma “teimosa taxa de emprego que insiste em se manter elevada”, pelo desenvolvimento regional desigual. Além disso, o baixo investimento estrangeiro afeta consideravelmente uma recuperação. Em 2015, a expectativa é de crescimento de 0,5%. Para 2016, de 1,2% e para 2017, de 1,5%.

10) Iêmen

A economia, altamente dependente de petróleo, sofreu um forte baque após bombardeios a seus oleodutos em 2014. O país ainda vive uma guerra civil. “O Iêmen continua a enfrentar desafios difíceis a longo prazo, incluindo os recursos hídricos em declínio , o desemprego elevado, a escassez de alimentos e uma elevada taxa de crescimento da população”, segundo analisa o CIA Factbook. Para 2015, a previsão é que a economia encolha 2,8%. Em 2016, crescimento positivo de 2,8% e em 2017 de 3,4%.

Fonte: Época Negócios

Escreva um comentário

Seu e-mail não será publicado.