Na última década, 24 jornalistas foram mortos no Brasil em crimes relacionados ao exercício da profissão. Cinco desses assassinatos permanecem sem que os culpados sejam punidos. Mais oito repórteres foram vítimas de crimes no mesmo período, no entanto as investigações policiais foram inconclusivas quanto à motivação dos homicídios. É o que revela o Índice da Impunidade, relatório anual divulgado pela organização internacional Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ) que calcula o percentual de casos não solucionados de assassinatos de jornalistas em relação à população de cada país.

Segundo o levantamento do CPJ, os novos ataques fatais contra a imprensa provocaram um retrocesso nos esforços brasileiros no combate à impunidade e levaram o Brasil a subir um lugar no ranking da violência contra jornalistas, ocupando a 11 posição, superando a Índia. No ano passado, o país aparecia em 12 lugar. É o segundo ano consecutivo que o Brasil aparece no relatório junto a países em guerra como Iraque e Afeganistão, ou dominados pelo narcotráfico, como México e Colômbia.

— O Brasil fica atrás de países em guerra ou onde a violência do narcotráfico é maior. Em pleno século XXI, o Brasil ainda sofre com grupos políticos e econômicos poderosos, oligarquias para quem a liberdade de expressão não existe e a força pode calar jornalistas — diz Marcelo Moreira, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Profissionais de veículos regionais e blogueiros que excercem a profissão de forma independente são os alvos mais comuns de crimes.

— São os grupos mais desprotegidos, pois não têm o respaldo nem a visibilidade das grandes empresas de mídia. Nesses casos, o agressor confia mais na impunidade — explica Moreira.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira, “tribunais haviam sentenciado os responsáveis em pelo menos cinco casos de jornalistas mortos em represália ao seu trabalho nos últimos anos, com as autoridades obtendo a condenação de mandantes em ao menos dois casos. Mas dois homicídios em 2011 realçaram os graves e constantes riscos enfrentados por jornalistas regionais que cobrem temas como corrupção, política e criminalidade”.

Fonte: O Globo

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