Brasil é o país que mais perde em competitividade

O Brasil foi o país que mais perdeu competitividade na última década em um ranking de 12 economias elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre 2002 e 2012, o chamado custo unitário do trabalho (CUT) em dólares cresceu significativamente na comparação com o dos concorrentes analisados. Enquanto, no Brasil, esse custo acumulou alta de 136% no período, na Austrália, o segundo colocado no ranking, o crescimento foi de 67%. O CUT representa o custo do trabalho para se produzir uma unidade de um bem. Quanto maior o CUT, menor a competitividade do país.

Segundo a CNI, a perda de competitividade da indústria brasileira resultou do baixo crescimento da produtividade do trabalhador somado ao reajuste dos salários acima da inflação e à apreciação do real nos últimos anos. Além da Austrália, o estudo compara os dados brasileiros com os do Canadá, Itália, Espanha, França, Cingapura, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Taiwan. Em terceiro lugar no ranking, o Canadá registrou alta de 25,9% no custo unitário do trabalho em uma década. Em seguida, estão Itália e Espanha, com índices de 17,9% e -0,5%, respectivamente.

O levantamento mostra que, em uma década, os três fatores que influenciam o custo unitário do trabalho – salário, câmbio e produtividade – contribuíram negativamente para o resultado brasileiro. “Entre os 12 países considerados, o Brasil registra o menor crescimento da produtividade do trabalho, a maior apreciação cambial real e o segundo maior aumento do salário médio real”, diz o estudo.

O gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, disse que, diante desse cenário, o Brasil não consegue manter os mercados para onde exporta, de um lado; e enfrenta dificuldade para competir com os produtos que entram no mercado interno, de outro.

— Desde 2010, a indústria não cresce e o problema do custo do trabalho pesa. A questão não é o salário do Brasil ser mais alto, mas o crescimento da renda não ser acompanhado pelo aumento de produtividade. O grande desafio é aumentar a produtividade — disse Fonseca.

Ele sugere que uma das formas de elevar a competitividade das empresas é abrir o mercado e atrair investimentos do setor privado em infraestrutura, por meio, por exemplo, das parcerias público-privadas.

— Outra questão é a qualificação da mão de obra, que demanda uma solução de longo prazo. A economia mundial precisa de trabalhadores que aprendam novas tecnologias — disse.

Para o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, as principais causas da perda de competitividade na indústria de transformação são câmbio, juros altos e a cumulatividade do sistema tributário brasileiro – com tributos que incidem em mais de uma etapa da circulação de mercadorias. Ele destacou que a participação dessa indústria no Produto Interno Bruto (PIB), que já chegou a 25% nos anos 1980, agora está perto de 12%. Já a capacidade instalada da indústria de aço está perto de 70%. O ideal, segundo Lopes, é que esse índice fique acima de 80%.

— Temos consciência de que a prioridade absoluta do governo hoje é o ajuste fiscal, fundamental para que o país tenha condições favoráveis para retomar o crescimento econômico. Mas, depois das contas arrumadas, não consigo enxergar qualquer tentativa de crescimento sem que a indústria esteja saudável — afirmou.

Na visão do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, há uma competição desleal e desigual com a produção de outros países, como a China, e o Brasil precisa caminhar para a fabricação de “produtos globais”.

— Temos um regramento trabalhista, tributário, ambiental e social extremamente amplo. Agora, quando a gente enfrenta competidores que não têm marcos regulatórios iguais aos nossos, há uma competição certamente desleal e desigual — disse Pimentel.

— Precisamos de um câmbio competitivo e reduzir a burocracia para melhorar o ambiente de negócios. Também precisamos avançar na reforma do ICMS no Congresso — afirmou o presidente da Abit, que prevê para o Brasil “uma travessia dura em 2015”.

Confira o ranking da CNI:

1º – Brasil

2º – Austrália

3º – Canadá

4º – Itália

5º – Espanha

6º – França

7º – Cingapura

8º – Alemanha

9º – Japão

10º – Coreia do Sul

11º – Estados Unidos

12º – Taiwan

Fonte: O Globo

RELACIONADOS

Deixe um comentário