Brasil se torna o maior exportador de milho, mas safra não chega ao NE

Péssimas condições da malha rodoviária brasileira dificultam a chegada de alimentos ao Nordeste

As condições precárias da malha rodoviária do país vêm criando um paradoxo no Nordeste. Em meio a uma das piores secas já enfrentadas, a região assiste seu rebanho morrer por falta de comida enquanto o Brasil se torna o maior exportador mundial de milho.

Por conta das péssimas condições das estradas, caminhoneiros estão se recusando a levar o milho do Centro-Oeste para o Nordeste. Quando aceitam, o alto preço do frete dobra o valor do produto.

Diante da falta de logística, fica mais fácil enfrentar os gigantes congestionamentos nos portos e fazer com que a carga viaje os 17 mil km por mar até a China do que suprir a demanda nordestina.

Outra justificativa para a preferência dos portos é que o caminhão retorna trazendo fertilizantes. Já na viagem para o Nordeste, além de levar de oito a dez dias, o caminhão deixa a carga e retorna vazio. “Junta-se a isso a nova lei dos caminhoneiros, que reduziu a carga horária dos profissionais e, consequentemente, diminuiu a frota de veículos disponível para o transporte no Brasil”, explica Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Para tentar solucionar o problema, o Ministério da Agricultura decidiu realizar um leilão para a aquisição de milho, com cláusulas que obrigam o vendedor a entregar o produto no Nordeste. Porém, os produtores locais acham que a medida não será suficiente para resolver a questão. “Só entre os pequenos produtores a demanda é de 300 mil toneladas de milho”, diz João Jorge Reis, presidente da Associação Cearense de Avicultura.

Para Reis o problema na região tende a piorar se a falta de chuva persistir. “Seremos duplamente sacrificados, ou pelo aumento do preço do frete ou pela falta do produto”, diz Reis.

Fonte: Opinião & Notícia

RELACIONADOS

Deixe um comentário