Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
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Brasileiros entre os últimos no ranking de habilidades digitais

Um estudo feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 31 países revelou que o Brasil está na antepenúltima colocação do Ranking quando o assunto é habilidade digital— na frente apenas dos Emirados Árabes e da Colômbia. Segundo a pesquisa, que leva em consideração dados do primeiro teste do Pisa na esfera digital, os alunos brasileiros estão entre os piores em navegar em sites e entender leituras online.

Além disso, o relatório chamado “Estudantes, computadores e aprendizado: Fazendo a conexão”, revela que países que investiram pesado em tecnologia não têm registrado melhora perceptível no desempenho dos alunos nos exames tradicionais de leitura, matemática ou ciências do Pisa. Dessa forma, a OCDE aponta que fazer com que as crianças tenham nível básico de proficiência em leitura e matemática é mais eficaz para garantir desenvolvimento das habilidades digitais que lotar as escolas com equipamentos de alta tecnologia. O uso frequente de computadores em escolas está, inclusive, mais associado a baixos resultados.

Para sustentar a hipótese de que fornecer aparatos tecnológicos não é suficiente para desenvolver habilidades, a pesquisa utiliza o exemplo da Austrália, Nova Zelândia e Suécia, que estão entre os setes países com alto índice de uso da internet na escola e apresentaram “declínios significativos” nas notas de leitura do Pisa. Na Espanha, Noruega e na Dinamarca— que também utilizam amplamente as novas tecnologias— o desempenho dos estudantes estagnou.

Em cenário oposto, encontram-se os sistemas educacionais mais celebrados do mundo: Coreia do Sul, Xangai e Hong Kong, na China, e Japão. Esses países, que possuem baixos níveis de uso de tecnologia nas escolas, estão entre os melhores nos testes que avaliam aprendizagem.

“ Se você olhar para os sistemas educacionais com melhor desempenho, como os do leste da Ásia, perceberá que têm sido muito cautelosos quanto ao uso de tecnologia em sala de aula. Aqueles alunos que usam tablets e computadores com muita frequência tendem a se sair pior nas avaliações que aqueles que usam moderadamente”, afirmou o diretor de educação da OCDE, Andreas Schleicher, complementando que a tecnologia gerou “falsas esperanças”.

De acordo com ele, a tecnologia pode ser uma distração e fazer com que alunos construam respostas “pré-fabricadas” nas lições de casa, como resultado do que copiam da internet:

“Não existe um único país no qual a internet é usada frequentemente na escola pela maioria dos estudantes onde o desempenho desses alunos melhorou.”

A empresa de consultoria Gartner estimou que o gasto global anual com tecnologia educacional é de cerca de 17,5 bilhões de libras.

Fonte: O Globo.

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