Legalize Aprendiz incentiva a contratação de jovens

JOVEM

No dia 1º de maio é comemorado o Dia do Trabalho. Mas, o que pouca gente sabe é que, hoje, uma semana antes do feriado, uma parcela importante dos brasileiros empregados celebra a sua data: o jovem trabalhador. Apesar da homenagem, estes brasileiros não têm muito o que comemorar. A taxa de desocupação — percentual das pessoas que não trabalham em relação às pessoas economicamente ativas — ainda é alta entre os jovens. Apenas 28,7% dos jovens de 15 a 17 anos e 15% dos de 18 a 24 anos ocupam um posto no mercado de trabalho.

O cenário controverso faz com a Lei de Aprendizagem — que determina que empresas de médio e grande portes componham seu quadro de funcionários com de 5% a 15% de aprendizes (entre 14 e 24 anos) — seja um precioso aliado contra o desemprego dos jovens. Tirá-la do papel, entretanto, ainda é um desafio. Para impulsionar o cumprimento da norma, que está em vigor há 15 anos, a Fundação Roberto Marinho lança hoje a campanha Legalize Aprendiz, em veículos de comunicação e redes sociais. A intenção é fazer com que as empresas, que hoje preenchem apenas 30% das vagas destinadas aos aprendizes, cumpram de fato a lei.

— Já vendi batom, sanduíche, mas aqui tive o primeiro contato com uma empresa de verdade. Foi uma mudança muito grande, tanto na minha vida profissional quanto na minha postura. A chance de aprender o conteúdo da empresa, ser aproveitado e me tornar um grande profissional é muito maior — contou Kleyton Thales, de 20 anos, hoje assistente pleno de Recursos Humanos na Apolo Tubos, onde ingressou aos 17 anos, por meio do programa Aprendiz Legal, realizado pela Fundação Roberto Marinho com implementação do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e da Gerar. No programa, além de trabalhar seis horas diárias, os aprendizes participam de curso de capacitação.

Ganho também para as empresas

O presente de Kleyton, efetivado na Apolo, é o futuro esperado por Renan Ferreira, de 19 anos, que atua no setor financeiro da mesma empresa. Filho de pais que não tiveram acesso à educação superior, o jovem cursa atualmente o 1º período da faculdade de Administração, preferência que surgiu durante sua atuação como aprendiz.

— Antes de vir para o programa, eu tinha preconceito com a área, mas vivenciei a experiência, gostei e acabei decidindo seguir. Além do mais, o Renan que vai sair da aprendizagem tem um mercado de trabalho muito mais aberto, porque já teve uma experiência — afirma.

Se, para os aprendizes, os ganhos foram grandes, para a empresa não foi diferente, conta a gerente de RH da Apolo, Aline Freitas:

— Eles são muito comprometidos, loucos para ter uma oportunidade e mostrar trabalho. Não me lembro de nenhum aprendiz que tenha sido efetivado e que tenhamos nos arrependido.

A campanha iniciada hoje pretende auxiliar na conquista da meta fixada pelo Ministério do Trabalho: a contratação de 1,2 milhão de jovens até o fim deste ano

— É fato que o programa vem se desenvolvendo, mas a inda está muito aquém do projetado e do potencial do país. Se todos participarem, vão colaborar para uma sociedade melhor — argumenta Luciane da Cruz, gerente de Aprendizagem do CIEE.

Fora a inserção do jovem no mercado de trabalho, o programa, de acordo com Marcelo Bentes, coordenador de Desenvolvimento Institucional da Fundação Roberto Marinho e do programa Aprendiz Legal, desempenha outra importante função: afastá-los da criminalidade.

— Um jovem que de manhã está na escola e à tarde está trabalhando dificilmente vai ter tempo para ingressar em uma atividade ilícita. É um fator de resgate dos jovens e de famílias inteiras. Dar para o jovem uma educação básica é importantíssimo, mas o mercado de trabalho atual exige também uma formação específica — comenta.

Fonte: O Globo.

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