“(…) são as chuvas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração (…).” Tom Jobim

Se na meteorologia isto não se confirma, com o calor inclemente torrando as esquinas das grandes cidades brasileiras, nos mercados o tempo continua fechado, bem nebuloso e com muita instabilidade no horizonte. Portanto, não podemos parodiar a canção do Tom Jobim, não há promessa de vida nos nossos corações. A crise segue piorando. 

Nesta segunda-feira, primeiro dia útil de março, não foi deferente. A fuga para a qualidade foi a tônica dos mercados bursáteis, que desde a abertura dos pregões despencaram acima de 4%. Pelo jeito, em março teremos mais um mês de volatilidade, com as oscilações dos ativos predominando, e pouca clarividência em relação ao futuro.

A corroborar para isto, os problemas cada vez mais profundos dos sistemas bancários. Isto parece “lugar comum” entre os investidores. Sem recuperar e restabelecer a confiança destes, recolocando-os no seu papel clássico de intermediador financeiro, não dá para pensar numa recuperação consistente das economias como um todo.

Para piorar, agora em março saiu um novo socorro – desta vez, de US$ 30 bilhões – para a seguradora AIG e o anúncio do HSBC Holdings de tentar captar 12,5 bilhões de libras (US$ 17,75 bilhões) em novos recursos, depois da forte queda do lucro líquido de 2008, de 70%, para US$ 5,73 bilhões. Somado a isto, numa atitude contestável, dada a extensão da crise, a União Europeia se negou a ajudar os países do Leste Europeu, recusando a proposta da Hungria de um pacote de até 190 bilhões de euros para recapitalização dos bancos da região e decidindo que toda ajuda será “caso a caso”.

Isto reforça o clima de que a economia mundial deve desacelerar mais do que o esperado neste ano e no próximo. Se os EUA cresceu 1,1% em 2008, neste ano deve mergulhar mais de 1,5%. No Brasil, em sinal trocado, o crescimento previsto pela pesquisa Focus é de 1,5%. A recuperação ao fim deste ano parece-nos cada vez mais distante.

No Brasil, uma boa notícia veio da balança comercial de fevereiro. Depois de um déficit de US$ 524 milhões em janeiro, veio a recuperação em fevereiro com superávit de US$ 1,76 bilhão. O saldo acumulado no ano é agora superavitário em US$ 1,24 bilhão. Além disto, melhorou um pouco o Índice de Confiança da Indústria, o ICI da FGV, o que pode ser um bom prenúncio para este ano. Sejamos, portanto, mais otimistas, porque pior do que está…

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